ÉPOCA – Quais são os fundamentos do que o senhor chama de economia espiritual?
Goswami – O capitalismo desenvolvido por Adam Smith é um sistema econômico maravilhoso. Mas tem defeitos. A teoria clássica apenas considera o material como variável, prevendo que o capitalismo estará sempre em expansão. Isso não é sustentável a longo prazo. O problema da teoria clássica é que nós não somos aquilo que sentimos, somos os mapas mentais daquilo que pensamos, seus significados, e somos também o intelecto. Adam Smith, achando que essas qualidades não eram mensuráveis, resolveu ignorá-las. Quando introduzimos esses fatores – as energias, os pensamentos – na equação econômica, nós percebemos que ela se fecha. Quando nos sentimos bem espiritualmente, a procura de bens materiais diminui naturalmente. E, quando o ciclo se completa, as pessoas podem voltar à procura material anterior. Na economia espiritual, a procura nunca chegará ao limite, pois ela leva em conta as realizações espirituais. Assim que o material é satisfeito, as pessoas sentem-se tranquilas. O que precisamos fazer é treinar a nossa capacidade para a tranquilidade.ÉPOCA – Como isso pode ser usado no contexto do trabalho?
Goswami – É reconhecido que os funcionários que estão em contacto com o seu lado espiritual são mais criativos. O tempo de lazer é a coisa mais importante para libertar essas energias. O ócio gera a criatividade.
ÉPOCA – Qual é o papel do dinheiro?
Goswami – O dinheiro é secundário. O nosso aspecto espiritual é o mais importante. No mundo materialista, capitalista, achamos que o dinheiro está ligado ao êxtase. As pessoas são movidas por energias negativas como a ganância, inveja, poder, ódio, agressividade. O material, o corpo físico, é apenas um instrumento para essas energias. Quando damos a devida atenção às energias construtivas, às energias mentais positivas, livramo-nos automaticamente das energias destrutivas. Continuamos a tê-las, mas deixamos de ser escravizados por elas.
Revista Época nº 484 – 27 de Agosto 2007

Sem comentários:
Enviar um comentário