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quinta-feira, 17 de março de 2011

Tocar a Terra - Honrar nossos inimigos

Vocês, que pelo lucro se envolvem na destruição deliberada do meio ambiente, vocês mostram-me o quanto eu valorizo ​​o que é honesto, generoso e eticamente planeado, todas as expressões de amor por este planeta-nosso-lar, e por todos os seres, humanos e não-humanos. Por isso eu, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.

Vocês deflagram em mim a paixão e o amor que sinto por esta terra que suporta a vida, pelo seu ar, seu solo e suas águas, e todos os seres por ela sustentados. Vocês mostram-me o quanto desejo integridade na minha vida, o quanto desejo comunidades fortes e sustentáveis. A força com que resisto as vossas acções mostra-me a intensidade do meu amor e paixão. Por isso, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.

Porque a dor que sinto ao ver o sofrimento do mundo não é maior que a vossa dor - a vocês, que perpetuam a destruição e se alienam das necessidades das gerações actuais e do futuro, cheia de compaixão, eu me prosto e toco a Terra.

Porque o sofrimento da ganância, alienação e medo não são menores do que a dor do luto e tristeza pelo que já perdemos, eu, cheia de compaixão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.

Pelo poder da transformação da minha raiva em amor pela beleza e integridade de todas as formas de vida, e pela energia radiante da minha sede de justiça e saúde para todos os seres, eu, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.

Porque todos queremos ser felizes, nos sentir intactos e parte do todo, por esse anseio comum, eu, cheia de compaixão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.

Porque vocês me desafiam com as vossas acções, exigindo que eu me liberte do meu apego à ideia de que a minha é a única perspectiva correta, eu, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.

A vocês, que me ensinam que a mente é uma fonte inesgotável, um verdadeiro milagre, capaz de se manifestar como amor, ganância ou medo, sabedoria ou confusão, ceguez às consequências das acções ou abertura à coerência sem limites de tudo o que fazemos e experienciamos na vida;

A vocês, que me mostram aquilo que eu mesma sou capaz quando deixo a minha vida ser regida pelo medo e pela ganância, a vocês, meus sublimes mestres, eu, cheia de gratidão, me prosto e toco a Terra.

Respeitando a capacidade da mente para a delusão e alienação que me chamam com tanta insistência à conexão e sabedoria, eu me prosto e toco a Terra.

Com a compreensão de que tudo isto irá passar, e com amor no meu coração, eu me prosto e toco a Terra.

Caitriona Reed

Original aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Rumi: A Small Green Island

There is a small green island where one white cow lives alone,
a meadow of an island.

The cow grazes until nightfall, full and fat,
but during the night she panics and grows thin as a single hair.
"What will I eat tomorrow? There's nothing left!"

By dawn the grass has grown up again, waist-high.
The cow starts eating and by dark the meadow is clipped short.
She is full of strength and energy, but she panics in the dark as before and grows abnormally thin overnight.

The cow does this over and over and this is all she does.
She never thinks, "This meadow has never failed to grow back.
Why should I be afraid every night that it won't?"

The cow is the bodily soul.
The island field is this world where that grows lean with fear and fat with blessing, lean and fat.
White cow, don't make yourself miserable with what is to come or not to come.

Translated by Coleman Barks

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Salário

Poema de Carlos Drummond de Andrade

28.V.1983

Ó que lance extraordinário:
aumentou o meu salário
e o custo de vida, vário,
muito acima do ordinário,
por milagre monetário
deu um salto planetário.

Não entendo o noticiário.
Sou um simples operário,
escravo de ponto e horário,
sou caxias voluntário
de rendimento precário,
nível de vida sumário,
para não dizer primário,
e cerzido vestuário.

Não sou nada perdulário,
muito menos salafrário,
é limpo meu prontuário,
jamais avancei no Erário,
não festejo aniversário
e em meu sufoco diário
de emudecido canário,
navegante solitário,
sob o peso tributário,
me falta vocabulário
para um triste comentário.

Mas que lance extraordinário:
com o aumento de salário,
aumentou o meu calvário!