Vocês, que pelo lucro se envolvem na destruição deliberada do meio ambiente, vocês mostram-me o quanto eu valorizo o que é honesto, generoso e eticamente planeado, todas as expressões de amor por este planeta-nosso-lar, e por todos os seres, humanos e não-humanos. Por isso eu, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.
Vocês deflagram em mim a paixão e o amor que sinto por esta terra que suporta a vida, pelo seu ar, seu solo e suas águas, e todos os seres por ela sustentados. Vocês mostram-me o quanto desejo integridade na minha vida, o quanto desejo comunidades fortes e sustentáveis. A força com que resisto as vossas acções mostra-me a intensidade do meu amor e paixão. Por isso, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.
Porque a dor que sinto ao ver o sofrimento do mundo não é maior que a vossa dor - a vocês, que perpetuam a destruição e se alienam das necessidades das gerações actuais e do futuro, cheia de compaixão, eu me prosto e toco a Terra.
Porque o sofrimento da ganância, alienação e medo não são menores do que a dor do luto e tristeza pelo que já perdemos, eu, cheia de compaixão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.
Pelo poder da transformação da minha raiva em amor pela beleza e integridade de todas as formas de vida, e pela energia radiante da minha sede de justiça e saúde para todos os seres, eu, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.
Porque todos queremos ser felizes, nos sentir intactos e parte do todo, por esse anseio comum, eu, cheia de compaixão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.
Porque vocês me desafiam com as vossas acções, exigindo que eu me liberte do meu apego à ideia de que a minha é a única perspectiva correta, eu, cheia de gratidão, me prosto aos vossos pés e toco a Terra.
A vocês, que me ensinam que a mente é uma fonte inesgotável, um verdadeiro milagre, capaz de se manifestar como amor, ganância ou medo, sabedoria ou confusão, ceguez às consequências das acções ou abertura à coerência sem limites de tudo o que fazemos e experienciamos na vida;
A vocês, que me mostram aquilo que eu mesma sou capaz quando deixo a minha vida ser regida pelo medo e pela ganância, a vocês, meus sublimes mestres, eu, cheia de gratidão, me prosto e toco a Terra.
Respeitando a capacidade da mente para a delusão e alienação que me chamam com tanta insistência à conexão e sabedoria, eu me prosto e toco a Terra.
Com a compreensão de que tudo isto irá passar, e com amor no meu coração, eu me prosto e toco a Terra.
Caitriona Reed
Original aqui.
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quinta-feira, 17 de março de 2011
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Meditação analítica sobre a inveja
- Pensa sobre uma situação que te faz sentir inveja.
- Qual é o sabor da inveja? Como é que a inveja te faz sentir?
- Observas pensamentos repetindo-se continuamente na tua mente?
- Qual é o objecto que queres tanto ter e que achas que a outra pessoa não tem direito a ter?
- Por que é que achas que tens mais direito a ter do que a outra pessoa?
- A tua inveja ajuda-te a obter aquilo que queres?
- Este objecto é mesmo importante na tua vida?
- Ficarias realmente feliz ao obter aquilo que queres?
- A obtenção daquilo que tanto desejas poderia fazer-te continuamente feliz?
- Por que é tão difícil sentires felicidade pelo que a outra pessoa tem?
- Quando nos alegramos pela sorte dos outros, ambos somos felizes!
- Tenta dar genuinamente o objecto ao outro e sentir-te feliz com a tua generosidade!
Fonte
- Qual é o sabor da inveja? Como é que a inveja te faz sentir?
- Observas pensamentos repetindo-se continuamente na tua mente?
- Qual é o objecto que queres tanto ter e que achas que a outra pessoa não tem direito a ter?
- Por que é que achas que tens mais direito a ter do que a outra pessoa?
- A tua inveja ajuda-te a obter aquilo que queres?
- Este objecto é mesmo importante na tua vida?
- Ficarias realmente feliz ao obter aquilo que queres?
- A obtenção daquilo que tanto desejas poderia fazer-te continuamente feliz?
- Por que é tão difícil sentires felicidade pelo que a outra pessoa tem?
- Quando nos alegramos pela sorte dos outros, ambos somos felizes!
- Tenta dar genuinamente o objecto ao outro e sentir-te feliz com a tua generosidade!
Fonte
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Possuir ou ser possuído?
O que é mais importante: adquirir mais posses ou tornarmo-nos mais conscientes? O que funciona melhor: obter ou largar?
Há um problema com possuir demasiado. Há um problema com possuir cada vez mais.
Quanto mais tens e quanto mais vais obtendo mais posses terás para cuidar. Quanto mais tens mais poderás perder. Será que isso é possuir ou ser possuído?
Mas se deixares de acumular posses, poderás deixar de passar a vida cuidando delas.
Busca a tranquilidade para descobrires a tua segurança interior. Se tiveres segurança interior, terás o que realmente queres. Também andarás menos estressado e a tua vida será mais longa.
John Heider, The Tao of Leadership
Há um problema com possuir demasiado. Há um problema com possuir cada vez mais.
Quanto mais tens e quanto mais vais obtendo mais posses terás para cuidar. Quanto mais tens mais poderás perder. Será que isso é possuir ou ser possuído?
Mas se deixares de acumular posses, poderás deixar de passar a vida cuidando delas.
Busca a tranquilidade para descobrires a tua segurança interior. Se tiveres segurança interior, terás o que realmente queres. Também andarás menos estressado e a tua vida será mais longa.
John Heider, The Tao of Leadership
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
A estória de Jeffrey Sawyer
Há uns anos, Jeffrey Sawyer deixou o seu emprego, vendeu todas as suas posses, e saiu de Asheville, Carolina do Norte, sem destino nem objectivo, excepto o de descobrir o significado da vida, do amor e da liberdade.Depois de chegar a Minnesota voltou para o local onde começou, e desde então, tem feito muitas "peregrinações", não só nos E.U.A. como também no México, Havaí e Sudeste Asiático. Vai sempre com pouco ou nenhum dinheiro e as viagens são feitas na maioria a pé.
Se quiserem, podem ler trechos do livro sobre a sua experiência aqui". São passagens como esta:
Embora haja pessoas capazes de olhar para o seu interior sem deixar o emprego, a casa, a família e os amigos, foi a solidão que me cativou. Eu queria dedicar-me completamente à investigação das capacidades do coração e da mente. Ao caminhar, algumas questões se tornaram predominantes: temos mesmo que trabalhar? O que aconteceria se não trabalhássemos? O que aconteceria se não tivéssemos dinheiro nem motivação para o obter? Será que é possível vivermos inteiramente livres nesta cultura?
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domingo, 16 de agosto de 2009
Vive, antes que morras!
Live Before You Die from Dreamtime Film on Vimeo.
As pessoas dizem que depois da morte podemos ir para o céu. Mas quem diz que temo de esperar esse tempo todo? A estrada para o céu é difícil mas às vezes acordamos noutro país. O Verão é outro país. Vive o teu dia, vive cada momento!A terra já aqui estava antes de nós e continuará aqui. Hoje tudo pertence a alguém, a alguma pessoa. Neste planeta, um sítio onde sentar não é pedir demasiado.
Viajamos levemente
atravessando apenas
para lá
sempre
mais além
As pessoas falam do Reino dos Céus. Isso está errado. O céu não é um reino, é o nosso mundo, a nossa terra, a nossa vida. Um dia vamos morrer mas por enquanto ainda estamos vivos.
Quanto mais tens, tanto menos és.
Quanto menos tens, tanto mais tu és.
O suficiente chega.
Cria a tua própria vida.
O poder dos outros é obtido através da nossa obediência.
Então, desobedece!
Achas que nós, a tribo dos cavalos, sem posses, achas que temos ar de derrotados?
Continua a tua viagem
vai mais além
continua, sempre...
Ouve a nossa mensagem:
Há vida ANTES da morte!
Agora a escolha é tua.
Estás vivo?
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A estória de Daniel Suelo
Conseguirias sobreviver sem dinheiro? Ele consegue.
Em Utah, um troglodita moderno vive sem dinheiro há quase uma década. Costumavam pensar que ele era louco. Agora pensam que talvez seja santo.
Daniel Suelo vive numa caverna. Ao contrário da maioria dos americanos - cheios de dívidas de cartões de crédito, aprisionados pela amortização da casa, apavorados de perder o emprego, ele não se preocupa com a crise económica pois descobriu que a melhor maneira de permanecer rico é nunca ser rico em primeira instância. Há 9 anos, no Outono de 2000, Suelo decidiu deixar de usar dinheiro. Deixou o dinheiro como um drogado deixaria, de uma vez por todas, o vício da droga.
A sua caverna, escondida bem alto num canyon com quedas d'água por perto, fica a 1 hora a pé de Utah, uma cidade no deserto de Mojave. O blog de Suelo, mantido de graça na Biblioteca Pública, sugere que ele tem um pouco de santo e um pouco de louco.
"Quando eu vivia com dinheiro, estava-me sempre faltando alguma coisa", ele escreve. "O dinheiro representa a falta; representa coisas no passado (dívida) e coisas no futuro (crédito), mas nunca representa o presente".
Foi num dia quente de primavera que descobri a sua caverna, onde encontrei uma mensagem: Entre, come à vontade e serve-te de tudo que quiseres (nada daqui é meu).
Do lado de fora a caverna parecia uma lágrima escavada, bem pequena, com espaço suficiente apenas para umas panelas penduradas no tecto, um "forno" construido debaixo de uma pedra, uns baldes cheios de feijão e arroz, uns cobertores no chão e praticamente mais nada. Há 3 anos que Suelo ali mora.
A noite cai e as estrelas brilham. Suelo é esguio e bronzeado. Ontem ele reconstruiu a entrada da sua caverna, arrastando rochas enormes para fazer uma escada. Suas mãos estão pretas da sujeira e o seu cabelo parece um ninho de pássaros, cheio de poeira.
Sorrindo, ele mostra os desperdícios que encontrou na sua visita semanal às ruas de Mojave: um par de luvas e um gorro de lã, um casaco de Inverno e um cinto branco de nylon ainda envolto em plástico, sandálias e um par de calças que está vestindo. Encontrou também latas de atum e peru e uma vela. Não se vive mal dos produtos desperdiçados pela sociedade de consumo.
"Lá me conseguiste encontrar", diz ele. Ofereço-lhe um saco de maçãs e um bloco de queijo que comprei no supermercado mas de repente a oferta parece pequena.
Suelo acende a vela e faz uma fogueira. A gruta depressa aquece. Lembro-me de S. João Baptista, que sobreviveu no deserto comendo mel e gafanhotos.
Suelo nem sempre viveu assim. Saiu da Universidade de Colorado com uma licenciatura em antropologia, pensou tornar-se médico, ocupou postos de trabalho, teve dinheiro e contas bancárias. Em 1987, depois de vários anos como assistente de laboratório no hospital de Colorado, juntou-se ao Peace Corps e foi colocado numa aldeia no topo dos Andes, no Equador. Estava encarregado da saúde das tribos dessa área, ensinando primeiros socorros, nutrição e dando medicamentos quando necessário; o momento de que mais se orgulha foi quando ajudou a dar à luz três bebês.
A tribo vinha enriquecendo há já uma década, e durante os dois anos que Suelo lá esteve ele viu como os aldeãos começaram a adoptar a economia da modernidade. Começaram pela primeira vez a vender os alimentos que produziam - quinoa, batata, milho, lentilhas -, e usavam o dinheiro que recebiam para comprar coisas de que não precisavam, ou seja, refrigerantes, farinha branca, açúcar refinado, aletria e grandes sacos de MSG para temperar as refeições.
"Quanto mais gastavam", diz Suelo, "mais a sua saúde declinava. A deterioração era vísivel e facilmente medida em gráficos que eu produzia. Era como se o dinheiro os estivesse empobrecendo."
Em seguida Suelo mudou-se para Mojave, onde trabalhou num abrigo para mulheres durante 5 anos. Ele queria ajudar as pessoas, mas ser pago para ajudar parecia-lhe desonesto - até que ponto é verdadeira a ajuda que exige recompensa? A resposta estava, em parte, no cristianismo de sua infância, em que seguir Jesus significava adoptar o estilo de vida prescrito no Sermão da Montanha.
"Abandonar as posses, viver além do crédito e dívida", explica Suelo em seu blog, "dando e recebendo gratuitamente, perdoando todas as dívidas, devendo nada a ninguém, vivendo e caminhando sem sentimentos de culpa... rancor [ou] superioridade."
Se o objectivo era alcançar um estado de graça, então teria de ser graça no sentido clássico, do latim gratia, significando favor, mas também, de graça, gratuitamente.
Em 1999, viveu num mosteiro budista na Tailândia - tinha poupado dinheiro apenas para o voo. Dali caminhou até à Índia, onde se viu na boa companhia dos sadhus, ascetas que vivem sem dinheiro. Os 5 milhões de sadhus podem ser encontrados andando pelas estradas e florestas por todo o subcontinente, buscando a iluminação através da auto-abnegação.
"Eu queria ser um Sadhu", diz Suelo. "Mas que bem me faria ser um Sadhu na Índia? O verdadeiro teste de fé seria a regressar a uma das nações mais materialistas e devotas ao dinheiro do mundo e ser um Sadhu ali. Ser vagabundo na América e fazer disso uma arte - essa ideia encantou-me."
O ritual matinal é simples e lento: uma chávena de chá e um mergulho na água fria do riacho. Depois, um banho de sol e coleta de alimentos silvestres para o almoço. Entre as rochas encontrámos plantas de mostarda, cujas folhas cruas são tão saborosas como a couve-flor, e perto do riacho onde Suelo vai buscar água encontrámos folhas enormes de agrião e montes de cebolas selvagens.
Digo-lhe que viver sem dinheiro parece-me ser difícil. Ele diz-me que nunca passou sem uma refeição (amigos em Mojave dão-lhe às vezes de comer). Quanto a doenças, viu-se mal numa ocasião em que comeu um cacto que havia identificado incorrectamente. Vomitou, ficou a delirar, pensou que ía morrer e chegou a escrever uma carta dirigida a quem encontrasse o seu cadáver. Mas ficou melhor.
"O objectivo é precisamente esse. As dificuldades são positivas, nós precisamos de desafios. O nosso corpo precisa de desafios, o nosso sistema imunológico precisa de desafios. As minhas dificuldades são simples e fáceis de gerir".
Quando lhe digo que pago $2.400 por mês de renda de casa em Nova York, ele abana a cabeça. O que ficou por dizer foi que estava ali eu, escrevendo sobre ele a fim de ganhar dinheiro, para uma revista que depende, para sua sobrevivência, do dinheiro que obtém dos anúncios e da publicidade de um consumo conspícuo.
Ao preparar o jantar, Suelo diz-me que há uns anos atrás ele tinha um vizinho no canyon, um alcoólico que vivia numa caverna maior que a dele. O velho passava os dias buscando ouro no riacho e todos os meses conseguia dinheiro suficiente para comprar a cerveja que o mantinha bêbado. Suelo considera as riquezas que encontrámos.
"E se víssemos o ouro pelo que é?" ele diz meditativamente. "O ouro é bonito mas é praticamente inútil. Alguém decidiu que tem valor, e toda a gente aceitou esta decisão. Os nativos das Américas pensavam que os europeus eram loucos por causa do seu desejo por uma substância amarela tão inútil."
Sueo vai fritando o agrião, as folhas de mostarda e as cebolas selvagens, misturando amêndoas que apanhou no pomar de um amigo e manteiga de boa qualidade que alguém tinha deitado fora.
No topo da falésia, a vida de Sadhu parece razoável. Mas eu não quero viver numa caverna. Gosto de ter casa de banho e electricidade. No entanto, a verdade é que há uma beleza óbvia na simplicidade da subsistência. Nos dias de hoje não respeitamos os nossos ascetas e rejeitamos a ideia de que o dinheiro talvez seja uma espécie de alucinação consensual. Para a maioria de nós é tão real quanto o próximo pagamento de aluguel. Suelo não recebe assistência pública mas sobrevive parcialmente devido à nossa realidade, aos excessos descartados do sistema monetário que ele denuncia - um sistema que, recentemente, parece estar a caminho do precipício .
Suelo tem 48 anos mas não se preocupa com a velhice. "Vou fazer o que as criaturas têm feito por milhões de anos", diz ele. "Porque é que acham que morrer no deserto é triste mas que morrer na enfermaria geriátrica não?"
Se quiserem, podem ler o original aqui.
Também podem ver e ouvir Suelo neste vídeo (em inglês).
Em Utah, um troglodita moderno vive sem dinheiro há quase uma década. Costumavam pensar que ele era louco. Agora pensam que talvez seja santo.
Daniel Suelo vive numa caverna. Ao contrário da maioria dos americanos - cheios de dívidas de cartões de crédito, aprisionados pela amortização da casa, apavorados de perder o emprego, ele não se preocupa com a crise económica pois descobriu que a melhor maneira de permanecer rico é nunca ser rico em primeira instância. Há 9 anos, no Outono de 2000, Suelo decidiu deixar de usar dinheiro. Deixou o dinheiro como um drogado deixaria, de uma vez por todas, o vício da droga.A sua caverna, escondida bem alto num canyon com quedas d'água por perto, fica a 1 hora a pé de Utah, uma cidade no deserto de Mojave. O blog de Suelo, mantido de graça na Biblioteca Pública, sugere que ele tem um pouco de santo e um pouco de louco.
"Quando eu vivia com dinheiro, estava-me sempre faltando alguma coisa", ele escreve. "O dinheiro representa a falta; representa coisas no passado (dívida) e coisas no futuro (crédito), mas nunca representa o presente".
Foi num dia quente de primavera que descobri a sua caverna, onde encontrei uma mensagem: Entre, come à vontade e serve-te de tudo que quiseres (nada daqui é meu).
Do lado de fora a caverna parecia uma lágrima escavada, bem pequena, com espaço suficiente apenas para umas panelas penduradas no tecto, um "forno" construido debaixo de uma pedra, uns baldes cheios de feijão e arroz, uns cobertores no chão e praticamente mais nada. Há 3 anos que Suelo ali mora.
A noite cai e as estrelas brilham. Suelo é esguio e bronzeado. Ontem ele reconstruiu a entrada da sua caverna, arrastando rochas enormes para fazer uma escada. Suas mãos estão pretas da sujeira e o seu cabelo parece um ninho de pássaros, cheio de poeira.
Sorrindo, ele mostra os desperdícios que encontrou na sua visita semanal às ruas de Mojave: um par de luvas e um gorro de lã, um casaco de Inverno e um cinto branco de nylon ainda envolto em plástico, sandálias e um par de calças que está vestindo. Encontrou também latas de atum e peru e uma vela. Não se vive mal dos produtos desperdiçados pela sociedade de consumo. "Lá me conseguiste encontrar", diz ele. Ofereço-lhe um saco de maçãs e um bloco de queijo que comprei no supermercado mas de repente a oferta parece pequena.
Suelo acende a vela e faz uma fogueira. A gruta depressa aquece. Lembro-me de S. João Baptista, que sobreviveu no deserto comendo mel e gafanhotos.
Suelo nem sempre viveu assim. Saiu da Universidade de Colorado com uma licenciatura em antropologia, pensou tornar-se médico, ocupou postos de trabalho, teve dinheiro e contas bancárias. Em 1987, depois de vários anos como assistente de laboratório no hospital de Colorado, juntou-se ao Peace Corps e foi colocado numa aldeia no topo dos Andes, no Equador. Estava encarregado da saúde das tribos dessa área, ensinando primeiros socorros, nutrição e dando medicamentos quando necessário; o momento de que mais se orgulha foi quando ajudou a dar à luz três bebês.
A tribo vinha enriquecendo há já uma década, e durante os dois anos que Suelo lá esteve ele viu como os aldeãos começaram a adoptar a economia da modernidade. Começaram pela primeira vez a vender os alimentos que produziam - quinoa, batata, milho, lentilhas -, e usavam o dinheiro que recebiam para comprar coisas de que não precisavam, ou seja, refrigerantes, farinha branca, açúcar refinado, aletria e grandes sacos de MSG para temperar as refeições.
"Quanto mais gastavam", diz Suelo, "mais a sua saúde declinava. A deterioração era vísivel e facilmente medida em gráficos que eu produzia. Era como se o dinheiro os estivesse empobrecendo."
Em seguida Suelo mudou-se para Mojave, onde trabalhou num abrigo para mulheres durante 5 anos. Ele queria ajudar as pessoas, mas ser pago para ajudar parecia-lhe desonesto - até que ponto é verdadeira a ajuda que exige recompensa? A resposta estava, em parte, no cristianismo de sua infância, em que seguir Jesus significava adoptar o estilo de vida prescrito no Sermão da Montanha.
"Abandonar as posses, viver além do crédito e dívida", explica Suelo em seu blog, "dando e recebendo gratuitamente, perdoando todas as dívidas, devendo nada a ninguém, vivendo e caminhando sem sentimentos de culpa... rancor [ou] superioridade."
Se o objectivo era alcançar um estado de graça, então teria de ser graça no sentido clássico, do latim gratia, significando favor, mas também, de graça, gratuitamente.
Em 1999, viveu num mosteiro budista na Tailândia - tinha poupado dinheiro apenas para o voo. Dali caminhou até à Índia, onde se viu na boa companhia dos sadhus, ascetas que vivem sem dinheiro. Os 5 milhões de sadhus podem ser encontrados andando pelas estradas e florestas por todo o subcontinente, buscando a iluminação através da auto-abnegação.
"Eu queria ser um Sadhu", diz Suelo. "Mas que bem me faria ser um Sadhu na Índia? O verdadeiro teste de fé seria a regressar a uma das nações mais materialistas e devotas ao dinheiro do mundo e ser um Sadhu ali. Ser vagabundo na América e fazer disso uma arte - essa ideia encantou-me."
O ritual matinal é simples e lento: uma chávena de chá e um mergulho na água fria do riacho. Depois, um banho de sol e coleta de alimentos silvestres para o almoço. Entre as rochas encontrámos plantas de mostarda, cujas folhas cruas são tão saborosas como a couve-flor, e perto do riacho onde Suelo vai buscar água encontrámos folhas enormes de agrião e montes de cebolas selvagens.Digo-lhe que viver sem dinheiro parece-me ser difícil. Ele diz-me que nunca passou sem uma refeição (amigos em Mojave dão-lhe às vezes de comer). Quanto a doenças, viu-se mal numa ocasião em que comeu um cacto que havia identificado incorrectamente. Vomitou, ficou a delirar, pensou que ía morrer e chegou a escrever uma carta dirigida a quem encontrasse o seu cadáver. Mas ficou melhor.
"O objectivo é precisamente esse. As dificuldades são positivas, nós precisamos de desafios. O nosso corpo precisa de desafios, o nosso sistema imunológico precisa de desafios. As minhas dificuldades são simples e fáceis de gerir".
Quando lhe digo que pago $2.400 por mês de renda de casa em Nova York, ele abana a cabeça. O que ficou por dizer foi que estava ali eu, escrevendo sobre ele a fim de ganhar dinheiro, para uma revista que depende, para sua sobrevivência, do dinheiro que obtém dos anúncios e da publicidade de um consumo conspícuo.
Ao preparar o jantar, Suelo diz-me que há uns anos atrás ele tinha um vizinho no canyon, um alcoólico que vivia numa caverna maior que a dele. O velho passava os dias buscando ouro no riacho e todos os meses conseguia dinheiro suficiente para comprar a cerveja que o mantinha bêbado. Suelo considera as riquezas que encontrámos.
"E se víssemos o ouro pelo que é?" ele diz meditativamente. "O ouro é bonito mas é praticamente inútil. Alguém decidiu que tem valor, e toda a gente aceitou esta decisão. Os nativos das Américas pensavam que os europeus eram loucos por causa do seu desejo por uma substância amarela tão inútil."
Sueo vai fritando o agrião, as folhas de mostarda e as cebolas selvagens, misturando amêndoas que apanhou no pomar de um amigo e manteiga de boa qualidade que alguém tinha deitado fora.
No topo da falésia, a vida de Sadhu parece razoável. Mas eu não quero viver numa caverna. Gosto de ter casa de banho e electricidade. No entanto, a verdade é que há uma beleza óbvia na simplicidade da subsistência. Nos dias de hoje não respeitamos os nossos ascetas e rejeitamos a ideia de que o dinheiro talvez seja uma espécie de alucinação consensual. Para a maioria de nós é tão real quanto o próximo pagamento de aluguel. Suelo não recebe assistência pública mas sobrevive parcialmente devido à nossa realidade, aos excessos descartados do sistema monetário que ele denuncia - um sistema que, recentemente, parece estar a caminho do precipício .
Suelo tem 48 anos mas não se preocupa com a velhice. "Vou fazer o que as criaturas têm feito por milhões de anos", diz ele. "Porque é que acham que morrer no deserto é triste mas que morrer na enfermaria geriátrica não?"
Se quiserem, podem ler o original aqui.
Também podem ver e ouvir Suelo neste vídeo (em inglês).
sábado, 15 de agosto de 2009
Meditação analítica sobre o dinheiro
Até que ponto o dinheiro simboliza o sucesso na tua vida?
Até que ponto a tua avaliação do sucesso dos outros - ou do teu - depende da quantidade de dinheiro que eles têm- ou que tu tens?
Até que ponto o dinheiro simboliza segurança para ti?
Até que ponto poupas dinheiro porque estás procurando segurança?
Até que ponto o dinheiro simboliza o amor?
Até que ponto o dinheiro dás dinheiro às pessoas de quem gostas como um símbolo do teu amor?
Quantas vezes dás dinheiro às pessoas que amas, porque não tens tempo ou possibilidade de estar com elas, utilizando o dinheiro como um substituto para a tua presença amorosa?
Até que ponto o dinheiro simboliza o poder? Quantas vezes usas dinheiro para exercer poder sobre outras pessoas?
Até que ponto o dinheiro simboliza liberdade e independência, a capacidade de fazer o que queres?
Até que ponto o dinheiro revela os teus valores? Quantas vezes usas dinheiro como apoio dos teus valores éticos e espirituais?
Até que ponto o dinheiro simboliza prazer - a tua capacidade de sentir prazer e obter as coisas que queres?
Traduzido daqui.
Até que ponto a tua avaliação do sucesso dos outros - ou do teu - depende da quantidade de dinheiro que eles têm- ou que tu tens?
Até que ponto o dinheiro simboliza segurança para ti?
Até que ponto poupas dinheiro porque estás procurando segurança?
Até que ponto o dinheiro simboliza o amor?
Até que ponto o dinheiro dás dinheiro às pessoas de quem gostas como um símbolo do teu amor?
Quantas vezes dás dinheiro às pessoas que amas, porque não tens tempo ou possibilidade de estar com elas, utilizando o dinheiro como um substituto para a tua presença amorosa?
Até que ponto o dinheiro simboliza o poder? Quantas vezes usas dinheiro para exercer poder sobre outras pessoas?
Até que ponto o dinheiro simboliza liberdade e independência, a capacidade de fazer o que queres?
Até que ponto o dinheiro revela os teus valores? Quantas vezes usas dinheiro como apoio dos teus valores éticos e espirituais?
Até que ponto o dinheiro simboliza prazer - a tua capacidade de sentir prazer e obter as coisas que queres?
Traduzido daqui.
São Francisco de Assis - A Santa Pobreza
8 .- Que os Irmãos não recebam dinheiro.
O Senhor comanda no Evangelho: "meditem, tenham cuidado com a maldade e avareza,e guardem-se das solicitudes deste mundo e dos cuidados desta vida".
Portanto, que nenhum dos irmãos, onde quer que esteja ou onde possa ir, de maneira nenhuma toque ou receba dinheiro, ou faça com que seja recebido, por roupas ou livros, ou como preço de qualquer trabalho, ou por qualquer outro motivo, salvo devido à necessidade manifesta de irmãos doentes.
Porque não devemos dar mais uso e estima ao dinheiro do que às pedras. E o diabo tenta cegar os que o desejam ou o valorizam mais que às pedras. Vamos, portanto, ter cuidado, com o receio de que, depois de termos deixado todas as coisas, possamos perder o reino dos céus por essa ninharia.
E se por acaso encontrarmos dinheiro em qualquer lugar, não lhe prestemos mais respeito do que à poeira que pisamos com os nossos pés, porque é a "vaidade das vaidades, e tudo é vaidade". E, se por ventura acontecesse que algum irmão coletasse ou tivesse dinheiro, salvo apenas devido à dita necessidade dos doentes, que todos os irmãos o vejam como um falso irmão, um ladrão, e um com uma carteira, a menos que ele se arrependa genuinamente.
E que os irmãos não recebam, de forma alguma, esmolas de dinheiro ou façam com que sejam recebidas, não procurem dinheiro ou façam com que seja procurado, nem que o dinheiro seja para outras casas ou sítios, e que não andem na companhia de pessoas que andam à busca de dinheiro para esses lugares.
Mas que façam todos os outros serviços não contrários à nossa vida, com a bênção de Deus. No entanto, os irmãos podem, pela necessidade manifesta dos leprosos, pedir esmola para eles. Mas que sejam muito cautelosos com o dinheiro. E que todos os irmãos tenham também muita atenção para não procurarem neste mundo nenhum lucro imundo.
9 .- Sobre pedir esmolas.
Que todos os irmãos se empenhem em seguir a humildade e a pobreza de nosso Senhor Jesus Cristo, e que se lembrem que neste mundo nada mais devemos ter do que o que diz o Apóstolo: "Tendo comida e abrigo, com isto estamos satisfeitos." E quando for necessário, que peçam esmola. E digam claramente aos outros o que necessitam, para que possam encontrar e receber aquilo de que têm necessidade. E que amem e nutram seus irmãos como uma mãe ama e nutre seus filhos.
Traduzido daqui.
Link: Vida e Obra de São Francisco de Assis
O Senhor comanda no Evangelho: "meditem, tenham cuidado com a maldade e avareza,e guardem-se das solicitudes deste mundo e dos cuidados desta vida". Portanto, que nenhum dos irmãos, onde quer que esteja ou onde possa ir, de maneira nenhuma toque ou receba dinheiro, ou faça com que seja recebido, por roupas ou livros, ou como preço de qualquer trabalho, ou por qualquer outro motivo, salvo devido à necessidade manifesta de irmãos doentes.
Porque não devemos dar mais uso e estima ao dinheiro do que às pedras. E o diabo tenta cegar os que o desejam ou o valorizam mais que às pedras. Vamos, portanto, ter cuidado, com o receio de que, depois de termos deixado todas as coisas, possamos perder o reino dos céus por essa ninharia.
E se por acaso encontrarmos dinheiro em qualquer lugar, não lhe prestemos mais respeito do que à poeira que pisamos com os nossos pés, porque é a "vaidade das vaidades, e tudo é vaidade". E, se por ventura acontecesse que algum irmão coletasse ou tivesse dinheiro, salvo apenas devido à dita necessidade dos doentes, que todos os irmãos o vejam como um falso irmão, um ladrão, e um com uma carteira, a menos que ele se arrependa genuinamente.
E que os irmãos não recebam, de forma alguma, esmolas de dinheiro ou façam com que sejam recebidas, não procurem dinheiro ou façam com que seja procurado, nem que o dinheiro seja para outras casas ou sítios, e que não andem na companhia de pessoas que andam à busca de dinheiro para esses lugares.
Mas que façam todos os outros serviços não contrários à nossa vida, com a bênção de Deus. No entanto, os irmãos podem, pela necessidade manifesta dos leprosos, pedir esmola para eles. Mas que sejam muito cautelosos com o dinheiro. E que todos os irmãos tenham também muita atenção para não procurarem neste mundo nenhum lucro imundo.
9 .- Sobre pedir esmolas.
Que todos os irmãos se empenhem em seguir a humildade e a pobreza de nosso Senhor Jesus Cristo, e que se lembrem que neste mundo nada mais devemos ter do que o que diz o Apóstolo: "Tendo comida e abrigo, com isto estamos satisfeitos." E quando for necessário, que peçam esmola. E digam claramente aos outros o que necessitam, para que possam encontrar e receber aquilo de que têm necessidade. E que amem e nutram seus irmãos como uma mãe ama e nutre seus filhos.
Traduzido daqui.
Link: Vida e Obra de São Francisco de Assis
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