Everett não escreveu livros durante sua vida, mas os seus diários, arte e poesia foram mais tarde publicados em 2 livros: On Desert Trails (1940) e Everett Ruess: Vagabond for Beauty (1983).

Senti-me sempre insatisfeito com a vida que a maioria das pessoas vive. Quis sempre viver de uma maneira mais rica e mais intensa. Para quê perder tempo escondendo os meus desejos mais profundos quando, falando deles, poderei encontrar alguém que os entenda e, vivendo-os, poderei descobrir quem sou?

Última carta de Everett Ruess, ao seu irmão Waldo:
Em relação a quando visitarei a civilização, acho que não será em breve. Ainda não me cansei da natureza; pelo contrário, deleito-me cada vez mais com a sua beleza e com a vida errante que levo. Prefiro a sela ao carro e o céu salpicado de estrelas a um teto, prefiro a trilha obscura e difícil, levando ao desconhecido, a qualquer auto-estrada e a paz profunda do deserto ao descontentamento gerado pelas cidades. Censuras-me por ficar aqui, no lugar onde sei que pertenço e onde me sinto uno com o mundo à minha volta?
É verdade que sinto falta de companhia inteligente, mas há tão poucos com quem possa compartilhar as coisas que significam tanto para mim que aprendi a me conter. É-me suficiente estar cercado de beleza.
Mesmo com base na tua breve descrição, sei que não conseguiria suportar a rotina e o tédio da vida que és forçado a levar. Acho que nunca conseguirei fixar residência. Agora que conheço as profundezas da vida preferiria qualquer coisa a um anticlímax.
(trecho retirado do livro "Na Natureza Selvagem")
Digam que passei fome, que andei perdido, estoirado,
que fiquei cego e queimado pelo sol do deserto,
que andei com os pés doridos, cheio de sede,
com doenças estranhas, sozinho, molhado e cheio de frio,
mas que vivi o meu sonho!







