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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Digam que vivi o meu sonho!

Everett Ruess (1914 - 1934) foi um artista e escritor que se aventurou sozinho pela natureza, incluindo os desertos do sudoeste americano. Aos 20 anos foi para o deserto do Utah com dois burros e nunca mais voltou.

Everett não escreveu livros durante sua vida, mas os seus diários, arte e poesia foram mais tarde publicados em 2 livros: On Desert Trails (1940) e Everett Ruess: Vagabond for Beauty (1983).


Senti-me sempre insatisfeito com a vida que a maioria das pessoas vive. Quis sempre viver de uma maneira mais rica e mais intensa. Para quê perder tempo escondendo os meus desejos mais profundos quando, falando deles, poderei encontrar alguém que os entenda e, vivendo-os, poderei descobrir quem sou?




Última carta de Everett Ruess, ao seu irmão Waldo:

Em relação a quando visitarei a civilização, acho que não será em breve. Ainda não me cansei da natureza; pelo contrário, deleito-me cada vez mais com a sua beleza e com a vida errante que levo. Prefiro a sela ao carro e o céu salpicado de estrelas a um teto, prefiro a trilha obscura e difícil, levando ao desconhecido, a qualquer auto-estrada e a paz profunda do deserto ao descontentamento gerado pelas cidades. Censuras-me por ficar aqui, no lugar onde sei que pertenço e onde me sinto uno com o mundo à minha volta?

É verdade que sinto falta de companhia inteligente, mas há tão poucos com quem possa compartilhar as coisas que significam tanto para mim que aprendi a me conter. É-me suficiente estar cercado de beleza.

Mesmo com base na tua breve descrição, sei que não conseguiria suportar a rotina e o tédio da vida que és forçado a levar. Acho que nunca conseguirei fixar residência. Agora que conheço as profundezas da vida preferiria qualquer coisa a um anticlímax.

(trecho retirado do livro "Na Natureza Selvagem")

Digam que passei fome, que andei perdido, estoirado,
que fiquei cego e queimado pelo sol do deserto,
que andei com os pés doridos, cheio de sede,
com doenças estranhas, sozinho, molhado e cheio de frio,
mas que vivi o meu sonho!

Freeganos - Reutilização dos desperdícios

Freeganos são pessoas que tentam viver uma vida simples, reduzindo o que consomem e a sua pegada ecológica através da reciclagem, partilha de recursos e aproveitamento dos desperdícios.

Segue-se um trecho de Revoluções quotidianas, práticas e instruções para viver além do capitalismo na vida, de Adam Weissman:

Recuperando o que é desperdiçado

Conhecido como mergulho em lixeiras (em inglês, dumpster diving), pesca de lixo, colheita urbana, ou simplesmente catar lixo, os praticantes da arte de recuperar recursos utilizáveis do desperdício de uma sociedade hiperconsumista conseguem diminuir dramaticamente ou até mesmo eliminar suas necessidades de comprar mercadorias.



Eles também reduzem seus desperdícios, limitando seus impactos ambientais pessoais, reduzindo suas cumplicidades econômicas com as empresas multinacionais que são socialmente e ecologicamente destrutivas e que criam a maior parte dos produtos, aliviam-se da pressão de ter que trabalhar em dois ou até três empregos para apenas suprirem suas necessidades básicas, e evitam contribuir para um governo corrupto ao limitarem suas contribuições em vendas e impostos de renda. Em áreas rurais, coletores colhem frutas e vegetais que ficam para trás devido a práticas agrícolas industriais ineficientes.



A colheita urbana não é um estilo de vida puritano, individualista e moralmente superior—é um componente chave na renovação do sentido de comunidade em torno do princípio de apoio mútuo.



Muitos coletores urbanos recuperam produtos em grupos. Alguns utilizam a comida recuperada em refeições públicas, algumas vezes em espaços de convivência comunitária. Os coletores frequentemente indicam uns aos outros bons locais para recuperar produtos. Esta página de internet oferece uma lista online de lugares favoritos dos coletores em áreas diferentes e guias similares são impressos e distribuídos. Os criadores do site fazem turnês onde grupos são introduzidos a locais confiáveis para coletar lixo. Os criadores da lista e os organizadores das turnês esperam que seus leitores e participantes irão então se inspirar em procurar outros lugares promissores por conta própria, os quais poderão ser adicionados para turnês e listas futuras.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Viver sem dinheiro: a estória de Heidemarie



Heidemarie Schwermer
(67) trabalhou durante muitos anos como psicoterapeuta e professora em Dortmund, na Alemanha. Como a maioria das pessoas à sua volta, ela passava a maior parte do tempo trabalhando para ganhar dinheiro para poder comprar as coisas que precisava - e as que não eram realmente necessárias. Como psicoterapeuta, ela conheceu muitas pessoas deprimidas e frustradas, pessoas que trabalhavam excessivamente e possuiam muito pouco tempo livre, ou que eram pobres ou desempregadas e sentiam-se inúteis.

Heidemarie teve então a ideia de começar um clube de trocas, onde pessoas sem dinheiro podiam trocar objectos e favores. Através do clube de trocas as pessoas entraram em contacto umas com as outras de uma forma totalmente diferente. Sentiam-se úteis e dignas e apreciavam também o aspecto social. Passado uns tempos Heidemarie decidiu fazer uma experiência. Ela deixou o seu apartamento, deu tudo que possuia a amigos e começou uma nova vida baseada na troca de favores - sem o uso de dinheiro. O seu objectivo era consciencializar as pessoas para a sua relação com o dinheiro e consumo.

Inicialmente ela ficou com amigos e conhecidos, tomando conta de suas casas quando eles estavam de férias ou viajando recebendo em troca comida e um lugar para viver. Ela foi a inspiração por trás da criação de clubes de troca por toda a Alemanha. Escreveu um livro sobre a sua vida e o seu estilo de vida se espalhou. Há 12 anos que vive sem dinheiro e diz que nunca se sentiu tão livre. O filme Viver sem Dinheiro segue o dia a dia de Heidemarie e com ele ficamos a saber sua história e filosofia.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tenzin Palmo, a hermita inglesa

que viveu 12 anos sozinha meditando numa gruta nos Himalaias.


Tenzin Palmo nasceu em 1944 em Londres e tornou-se budista ainda adolescente. Aos 20 anos de idade decidiu ir para a Índia aprofundar seu caminho espiritual. Foi lá que conheceu Khamtrul Rinpoche VIII e tornou-se uma das primeiras monjas budistas ocidentais. Depois de passar 6 anos na comunidade de Khamtrul Rinpoche foi para o vale do Lahaul nos Himalaias, onde viveu durante vários anos num pequeno mosteiro, mantendo-se em retiro durante os longos meses de Inverno. Foi então que, procurando maior reclusão para intensificar sua prática espiritual, encontrou uma gruta nas proximidades, onde viveu durante os 12 anos seguintes, passando os últimos 3 em estrito retiro.

Mas a estória dela não acaba aqui. Se quiserem saber mais podem ler o livro Cave in the snow, de Vicki Mackenzie, ou clicar aqui.

Mensagem de Uriel

Vivemos exteriorizados, buscando apenas os bens materiais, o conforto, o reconhecimento das pessoas, a fama, o sucesso, os canudos, o dinheiro, conforme os padrões sociais, baseado neste sistema falido que aí se encontra. Um mundo onde há o desamor, a fome, as guerras, a luta pelo poder, pelo ter e possuir, sem se importar com os seres humanos, onde o homem só tem valor pelo volume de sua conta bancária.

Olhem em redor e questionem-se: “Quem é verdadeiramente feliz?” É absolutamente impossível sermos felizes enquanto estivermos exteriorizando e vivendo adormecidos como verdadeiros robôs, de acordo com as regras absurdas de uma sociedade doente! É urgente que nos interiorizemos, que busquemos a simplicidade das coisas, que amemos as pessoas, que nos doemos sem querer nada em troca, que busquemos a Paz Interior!

A Obra Magna
, p. 8.

Citações - Lame Deer, índio Lakota

Antes dos nossos irmãos brancos nos terem vindo civilizar nós não tínhamos prisões. Portanto, não tínhamos criminosos. Sem prisões não podíamos ter criminosos. Não tínhamos chaves nem fechaduras, por isso não tinhamos ladrões. Se alguém fosse tão pobre que não tinha um cavalo, tipi ou cobertor, alguém oferecia-lhe essas coisas.

Éramos incivilizados demais para darmos valor a bens pessoais. Queríamos ter coisas apenas para as podermos dar. Não tínhamos dinheiro e por isso o valor do homem não podia ser medido por ele. Não tínhamos lei escrita nem advogados ou políticos e por isso não podíamos enganar ninguém. Estávamos mesmo muito mal antes do homem branco ter vindo e não sei como é que tinhamos conseguido viver em harmonia sem essas coisas básicas que, segundo nos dizem, são absolutamente necessárias para a existência de uma sociedade civilizada.

- Sábio Lakota Lame Deer (de John Lame Deer, Seeker of Visions)

Citações - Gandhi

Uma coisa inicialmente não roubada deveria contudo ser classificada como propriedade roubada se a possuirmos sem que dela precisemos.

Possuir implica fazer provisões para o futuro. Quem busca a Verdade, quem segue a lei do Amor, não agarra nada contra o amanhã. Deus nunca armazena para amanhã. Ele nunca cria mais do que o estritamente necessário para o momento. Assim, se repousarmos a fé na Sua Providência, deveríamos estar certos de que Ele nos dará o pão nosso de cada dia, ou seja, tudo o que precisarmos....

A nossa ignorância ou negligência da Lei Divina, que diariamente dá ao homem o seu pão de cada dia e nada mais, criou desigualdades e todas as misérias que lhes acompanham. Os ricos superfluamente armazenam coisas que não precisam e que são, portanto, negligênciadas e desperdiçadas, enquanto milhões morrem à fome por falta de sustento.

Na Índia, há três milhões de pessoas que têm de se satisfazer com uma única refeição por dia, que consiste em um chapati sem qualquer gordura e uma pitada de sal. Você e eu não temos direito a nada do que possuímos até que esses três milhões estejam mais bem vestidos e alimentados. Você e eu temos de adequar nossas vontades e até nos submeter à fome voluntária para que essas pessoas possam ser tratadas, alimentadas e vestidas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Olhai para os lírios do campo

Não ajunteis tesouros na terra,
onde a traça e a ferrugem tudo consomem,
e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu,
onde nem a traça nem a ferrugem consomem,
e onde os ladrões não minam nem roubam.

Porque onde estiver o vosso tesouro,
aí estará também o vosso coração.
Ninguém pode servir a dois senhores;
porque ou há de odiar um e amar o outro,
ou se dedicará a um e desprezará o outro.
Não podeis servir a Deus e Mamom.

Por isso vos digo:
Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida,
pelo que haveis de comer
ou pelo que haveis de beber;
nem quanto ao vosso corpo,
pelo que haveis de vestir.

Não é a vida mais do que o mantimento,
e o corpo mais do que vestuário?
Olhai para as aves do céu,
que nem semeiam, nem segam,
nem ajuntam em celeiros;
e vosso Pai celestial as alimenta.
Não tendes vós muito mais valor do que elas?

E qual de vós poderá,
com todos os seus cuidados,
acrescentar um côvado à sua estatura?
E, quanto ao vestuário,
por que andais solícitos?

Olhai para os lírios do campo,
como eles crescem;
não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão,
em toda a sua glória,
se vestiu como qualquer deles.

Pois, se Deus assim veste a erva do campo,
que hoje existe, amanhã é lançada no forno,
não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

Não andeis, pois, inquietos, dizendo:
Que comeremos, ou que beberemos,
ou com que nos vestiremos?
(Porque todas estas coisas os gentios procuram).

De certo vosso Pai celestial bem sabe
que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça,
e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã,
porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.

domingo, 9 de agosto de 2009

Simplicidade Voluntária

No seu primeiro livro, Simplicidade Voluntária, 1981, o historiador e cientista social americano Duane Elgin diz-nos que:

“Vida simples é fruto de um propósito que a gente tem, pelo qual fica mais fácil descartar excessos, direcionar a energia de modo ordenado, ser mais coerente, sincero, consciente. A simplicidade começa dentro da gente quando decidimos o que realmente importa para cada um de nós. Simplicidade voluntária quer dizer escolher o nosso caminho na vida de forma consciente, deliberada e de nosso próprio acordo. Não é apenas viver com menos, mas viver com propósito e equilíbrio".

Peregrina da Paz

Durante a Idade Média, os peregrinos saiam, como discípulos enviados que eram - sem dinheiro, sem alimento, sem roupa adequada - eu conheço esta tradição.

Não tenho dinheiro e não aceito nenhum dinheiro em minha peregrinação. Não pertenço a nenhuma organização. Não há nenhuma organização por trás de mim. Eu possuo apenas o que visto e levo comigo. Não há nada que me restrinja. Sou tão livre como um pássaro que voa no céu.

Caminho até que me ofereçam teto, jejuo até que me dêem alimento. Não o peço - dão-me sem eu pedir. Que boas são as pessoas! Há uma chispa de bondade em todos, não importa quão profundamente oculta esteja. Está lá.

Peregrina da Paz
p.26

O caminho inverso


Parece que os ocidentais não acreditam que os homens sejam naturalmente bons e belos, lugares onde a vida cresce. É por isso que se tornaram especialistas em meios de coerção e sabem usar o dinheiro e os fuzis como ninguém mais... É por isso que estão sempre tentando melhorar os homens por meio de adições: a comida em excesso, a roupa desnecessária, a velocidade da máquina, a complicação da vida...

Tentei seguir o caminho inverso: despojar-me de tudo para que a verdade apareça. É somente assim que se vê Deus, porque Deus é verdade, esta voz que vive dentro de cada um. Cultivei, acima de tudo, meus momentos de oração e meditação: às 4h30 da manhã, e entre 5 e 6 da tarde. Para mim não havia nada mais importante que isto.

Gandhi - Magia Dos Gestos Poéticos p.16

Citações sobre o dinheiro

O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal. - Leon Tolstoi

Não há nada pior do que o dinheiro na sociedade humana. - Sófocles

O que o dinheiro faz por nós não compensa o que fazemos por ele. - Flaubert

Por detrás de uma grande fortuna há um crime. - Balzac

Os homens são porcos que se alimentam de ouro. - Napoleão

O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele. - Schopenhauer

Algemas de ouro são muito piores que algemas de ferro. - Gandhi

Um sujeito suficientemente esperto para ganhar muito dinheiro tem se ser suficientemente cretino para querer esse dinheiro. - Chesterton

As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã. - Aristóteles

O preço que temos de pagar pelo dinheiro paga-se em liberdade. - Robert Stevenson