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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Eremitas da Roménia e Moldávia

Citações - Thomas Merton

A correria e a pressão exercida pelo ritmo da vida moderna são uma forma, talvez a forma mais comum, de sua violência radical.

Deixar-se levar pela multidão de preocupações em conflito, entregar-se a múltiplas exigências, engajar-se em demasiados projectos, querer ajudar a todos em tudo, é sucumbir à violência. Mais que isso, é cooperar com a violência. O frenesi... destrói a capacidade interior de paz.

Reflexões de um espectador culpado, (Editora Vozes, Petrópolis), 1970. p. 99

A estória de Jeffrey Sawyer

Há uns anos, Jeffrey Sawyer deixou o seu emprego, vendeu todas as suas posses, e saiu de Asheville, Carolina do Norte, sem destino nem objectivo, excepto o de descobrir o significado da vida, do amor e da liberdade.

Depois de chegar a Minnesota voltou para o local onde começou, e desde então, tem feito muitas "peregrinações", não só nos E.U.A. como também no México, Havaí e Sudeste Asiático. Vai sempre com pouco ou nenhum dinheiro e as viagens são feitas na maioria a pé.

Se quiserem, podem ler trechos do livro sobre a sua experiência aqui". São passagens como esta:

Embora haja pessoas capazes de olhar para o seu interior sem deixar o emprego, a casa, a família e os amigos, foi a solidão que me cativou. Eu queria dedicar-me completamente à investigação das capacidades do coração e da mente. Ao caminhar, algumas questões se tornaram predominantes: temos mesmo que trabalhar? O que aconteceria se não trabalhássemos? O que aconteceria se não tivéssemos dinheiro nem motivação para o obter? Será que é possível vivermos inteiramente livres nesta cultura?

domingo, 16 de agosto de 2009

Vive, antes que morras!

Live Before You Die from Dreamtime Film on Vimeo.

As pessoas dizem que depois da morte podemos ir para o céu. Mas quem diz que temo de esperar esse tempo todo? A estrada para o céu é difícil mas às vezes acordamos noutro país. O Verão é outro país. Vive o teu dia, vive cada momento!

A terra já aqui estava antes de nós e continuará aqui. Hoje tudo pertence a alguém, a alguma pessoa. Neste planeta, um sítio onde sentar não é pedir demasiado.

Viajamos levemente
atravessando apenas
para lá
sempre
mais além

As pessoas falam do Reino dos Céus. Isso está errado. O céu não é um reino, é o nosso mundo, a nossa terra, a nossa vida. Um dia vamos morrer mas por enquanto ainda estamos vivos.

Quanto mais tens, tanto menos és.
Quanto menos tens, tanto mais tu és.

O suficiente chega.
Cria a tua própria vida.


O poder dos outros é obtido através da nossa obediência.
Então, desobedece!

Achas que nós, a tribo dos cavalos, sem posses, achas que temos ar de derrotados?

Continua a tua viagem
vai mais além
continua, sempre...

Ouve a nossa mensagem:
Há vida ANTES da morte!
Agora a escolha é tua.

Estás vivo?

A estória de Daniel Suelo

Conseguirias sobreviver sem dinheiro? Ele consegue.

Em Utah, um troglodita moderno vive sem dinheiro há quase uma década. Costumavam pensar que ele era louco. Agora pensam que talvez seja santo.

Daniel Suelo vive numa caverna. Ao contrário da maioria dos americanos - cheios de dívidas de cartões de crédito, aprisionados pela amortização da casa, apavorados de perder o emprego, ele não se preocupa com a crise económica pois descobriu que a melhor maneira de permanecer rico é nunca ser rico em primeira instância. Há 9 anos, no Outono de 2000, Suelo decidiu deixar de usar dinheiro. Deixou o dinheiro como um drogado deixaria, de uma vez por todas, o vício da droga.

A sua caverna, escondida bem alto num canyon com quedas d'água por perto, fica a 1 hora a pé de Utah, uma cidade no deserto de Mojave. O blog de Suelo, mantido de graça na Biblioteca Pública, sugere que ele tem um pouco de santo e um pouco de louco.

"Quando eu vivia com dinheiro, estava-me sempre faltando alguma coisa", ele escreve. "O dinheiro representa a falta; representa coisas no passado (dívida) e coisas no futuro (crédito), mas nunca representa o presente".

Foi num dia quente de primavera que descobri a sua caverna, onde encontrei uma mensagem: Entre, come à vontade e serve-te de tudo que quiseres (nada daqui é meu).

Do lado de fora a caverna parecia uma lágrima escavada, bem pequena, com espaço suficiente apenas para umas panelas penduradas no tecto, um "forno" construido debaixo de uma pedra, uns baldes cheios de feijão e arroz, uns cobertores no chão e praticamente mais nada. Há 3 anos que Suelo ali mora.

A noite cai e as estrelas brilham. Suelo é esguio e bronzeado. Ontem ele reconstruiu a entrada da sua caverna, arrastando rochas enormes para fazer uma escada. Suas mãos estão pretas da sujeira e o seu cabelo parece um ninho de pássaros, cheio de poeira.

Sorrindo, ele mostra os desperdícios que encontrou na sua visita semanal às ruas de Mojave: um par de luvas e um gorro de lã, um casaco de Inverno e um cinto branco de nylon ainda envolto em plástico, sandálias e um par de calças que está vestindo. Encontrou também latas de atum e peru e uma vela. Não se vive mal dos produtos desperdiçados pela sociedade de consumo.

"Lá me conseguiste encontrar"
, diz ele. Ofereço-lhe um saco de maçãs e um bloco de queijo que comprei no supermercado mas de repente a oferta parece pequena.

Suelo acende a vela e faz uma fogueira. A gruta depressa aquece. Lembro-me de S. João Baptista, que sobreviveu no deserto comendo mel e gafanhotos.

Suelo nem sempre viveu assim. Saiu da Universidade de Colorado com uma licenciatura em antropologia, pensou tornar-se médico, ocupou postos de trabalho, teve dinheiro e contas bancárias. Em 1987, depois de vários anos como assistente de laboratório no hospital de Colorado, juntou-se ao Peace Corps e foi colocado numa aldeia no topo dos Andes, no Equador. Estava encarregado da saúde das tribos dessa área, ensinando primeiros socorros, nutrição e dando medicamentos quando necessário; o momento de que mais se orgulha foi quando ajudou a dar à luz três bebês.

A tribo vinha enriquecendo há já uma década, e durante os dois anos que Suelo lá esteve ele viu como os aldeãos começaram a adoptar a economia da modernidade. Começaram pela primeira vez a vender os alimentos que produziam - quinoa, batata, milho, lentilhas -, e usavam o dinheiro que recebiam para comprar coisas de que não precisavam, ou seja, refrigerantes, farinha branca, açúcar refinado, aletria e grandes sacos de MSG para temperar as refeições.

"Quanto mais gastavam
", diz Suelo, "mais a sua saúde declinava. A deterioração era vísivel e facilmente medida em gráficos que eu produzia. Era como se o dinheiro os estivesse empobrecendo."

Em seguida Suelo mudou-se para Mojave, onde trabalhou num abrigo para mulheres durante 5 anos. Ele queria ajudar as pessoas, mas ser pago para ajudar parecia-lhe desonesto - até que ponto é verdadeira a ajuda que exige recompensa? A resposta estava, em parte, no cristianismo de sua infância, em que seguir Jesus significava adoptar o estilo de vida prescrito no Sermão da Montanha.

"Abandonar as posses, viver além do crédito e dívida", explica Suelo em seu blog, "dando e recebendo gratuitamente, perdoando todas as dívidas, devendo nada a ninguém, vivendo e caminhando sem sentimentos de culpa... rancor [ou] superioridade."

Se o objectivo era alcançar um estado de graça, então teria de ser graça no sentido clássico, do latim gratia, significando favor, mas também, de graça, gratuitamente.

Em 1999, viveu num mosteiro budista na Tailândia - tinha poupado dinheiro apenas para o voo. Dali caminhou até à Índia, onde se viu na boa companhia dos sadhus, ascetas que vivem sem dinheiro. Os 5 milhões de sadhus podem ser encontrados andando pelas estradas e florestas por todo o subcontinente, buscando a iluminação através da auto-abnegação.

"Eu queria ser um Sadhu"
, diz Suelo. "Mas que bem me faria ser um Sadhu na Índia? O verdadeiro teste de fé seria a regressar a uma das nações mais materialistas e devotas ao dinheiro do mundo e ser um Sadhu ali. Ser vagabundo na América e fazer disso uma arte - essa ideia encantou-me."

O ritual matinal é simples e lento: uma chávena de chá e um mergulho na água fria do riacho. Depois, um banho de sol e coleta de alimentos silvestres para o almoço. Entre as rochas encontrámos plantas de mostarda, cujas folhas cruas são tão saborosas como a couve-flor, e perto do riacho onde Suelo vai buscar água encontrámos folhas enormes de agrião e montes de cebolas selvagens.

Digo-lhe que viver sem dinheiro parece-me ser difícil. Ele diz-me que nunca passou sem uma refeição (amigos em Mojave dão-lhe às vezes de comer). Quanto a doenças, viu-se mal numa ocasião em que comeu um cacto que havia identificado incorrectamente. Vomitou, ficou a delirar, pensou que ía morrer e chegou a escrever uma carta dirigida a quem encontrasse o seu cadáver. Mas ficou melhor.

"O objectivo é precisamente esse. As dificuldades são positivas, nós precisamos de desafios. O nosso corpo precisa de desafios, o nosso sistema imunológico precisa de desafios. As minhas dificuldades são simples e fáceis de gerir".

Quando lhe digo que pago $2.400 por mês de renda de casa em Nova York, ele abana a cabeça. O que ficou por dizer foi que estava ali eu, escrevendo sobre ele a fim de ganhar dinheiro, para uma revista que depende, para sua sobrevivência, do dinheiro que obtém dos anúncios e da publicidade de um consumo conspícuo.

Ao preparar o jantar, Suelo diz-me que há uns anos atrás ele tinha um vizinho no canyon, um alcoólico que vivia numa caverna maior que a dele. O velho passava os dias buscando ouro no riacho e todos os meses conseguia dinheiro suficiente para comprar a cerveja que o mantinha bêbado. Suelo considera as riquezas que encontrámos.

"E se víssemos o ouro pelo que é?" ele diz meditativamente. "O ouro é bonito mas é praticamente inútil. Alguém decidiu que tem valor, e toda a gente aceitou esta decisão. Os nativos das Américas pensavam que os europeus eram loucos por causa do seu desejo por uma substância amarela tão inútil."

Sueo vai fritando o agrião, as folhas de mostarda e as cebolas selvagens, misturando amêndoas que apanhou no pomar de um amigo e manteiga de boa qualidade que alguém tinha deitado fora.

No topo da falésia, a vida de Sadhu parece razoável. Mas eu não quero viver numa caverna. Gosto de ter casa de banho e electricidade. No entanto, a verdade é que há uma beleza óbvia na simplicidade da subsistência. Nos dias de hoje não respeitamos os nossos ascetas e rejeitamos a ideia de que o dinheiro talvez seja uma espécie de alucinação consensual. Para a maioria de nós é tão real quanto o próximo pagamento de aluguel. Suelo não recebe assistência pública mas sobrevive parcialmente devido à nossa realidade, aos excessos descartados do sistema monetário que ele denuncia - um sistema que, recentemente, parece estar a caminho do precipício .

Suelo tem 48 anos mas não se preocupa com a velhice. "Vou fazer o que as criaturas têm feito por milhões de anos", diz ele. "Porque é que acham que morrer no deserto é triste mas que morrer na enfermaria geriátrica não?"

Se quiserem, podem ler o original aqui.
Também podem ver e ouvir Suelo neste vídeo (em inglês).

sábado, 15 de agosto de 2009

Meditação analítica sobre o dinheiro

Até que ponto o dinheiro simboliza o sucesso na tua vida?

Até que ponto a tua avaliação do sucesso dos outros - ou do teu - depende da quantidade de dinheiro que eles têm- ou que tu tens?

Até que ponto o dinheiro simboliza segurança para ti?

Até que ponto poupas dinheiro porque estás procurando segurança?

Até que ponto o dinheiro simboliza o amor?

Até que ponto o dinheiro dás dinheiro às pessoas de quem gostas como um símbolo do teu amor?

Quantas vezes dás dinheiro às pessoas que amas, porque não tens tempo ou possibilidade de estar com elas, utilizando o dinheiro como um substituto para a tua presença amorosa?

Até que ponto o dinheiro simboliza o poder? Quantas vezes usas dinheiro para exercer poder sobre outras pessoas?

Até que ponto o dinheiro simboliza liberdade e independência, a capacidade de fazer o que queres?

Até que ponto o dinheiro revela os teus valores? Quantas vezes usas dinheiro como apoio dos teus valores éticos e espirituais?

Até que ponto o dinheiro simboliza prazer - a tua capacidade de sentir prazer e obter as coisas que queres?

Traduzido daqui.

São Francisco de Assis - A Santa Pobreza

8 .- Que os Irmãos não recebam dinheiro.

O Senhor comanda no Evangelho: "meditem, tenham cuidado com a maldade e avareza,e guardem-se das solicitudes deste mundo e dos cuidados desta vida".

Portanto, que nenhum dos irmãos, onde quer que esteja ou onde possa ir, de maneira nenhuma toque ou receba dinheiro, ou faça com que seja recebido, por roupas ou livros, ou como preço de qualquer trabalho, ou por qualquer outro motivo, salvo devido à necessidade manifesta de irmãos doentes.

Porque não devemos dar mais uso e estima ao dinheiro do que às pedras. E o diabo tenta cegar os que o desejam ou o valorizam mais que às pedras. Vamos, portanto, ter cuidado, com o receio de que, depois de termos deixado todas as coisas, possamos perder o reino dos céus por essa ninharia.

E se por acaso encontrarmos dinheiro em qualquer lugar, não lhe prestemos mais respeito do que à poeira que pisamos com os nossos pés, porque é a "vaidade das vaidades, e tudo é vaidade". E, se por ventura acontecesse que algum irmão coletasse ou tivesse dinheiro, salvo apenas devido à dita necessidade dos doentes, que todos os irmãos o vejam como um falso irmão, um ladrão, e um com uma carteira, a menos que ele se arrependa genuinamente.

E que os irmãos não recebam, de forma alguma, esmolas de dinheiro ou façam com que sejam recebidas, não procurem dinheiro ou façam com que seja procurado, nem que o dinheiro seja para outras casas ou sítios, e que não andem na companhia de pessoas que andam à busca de dinheiro para esses lugares.

Mas que façam todos os outros serviços não contrários à nossa vida, com a bênção de Deus. No entanto, os irmãos podem, pela necessidade manifesta dos leprosos, pedir esmola para eles. Mas que sejam muito cautelosos com o dinheiro. E que todos os irmãos tenham também muita atenção para não procurarem neste mundo nenhum lucro imundo.

9 .- Sobre pedir esmolas.

Que todos os irmãos se empenhem em seguir a humildade e a pobreza de nosso Senhor Jesus Cristo, e que se lembrem que neste mundo nada mais devemos ter do que o que diz o Apóstolo: "Tendo comida e abrigo, com isto estamos satisfeitos." E quando for necessário, que peçam esmola. E digam claramente aos outros o que necessitam, para que possam encontrar e receber aquilo de que têm necessidade. E que amem e nutram seus irmãos como uma mãe ama e nutre seus filhos.

Traduzido daqui.
Link: Vida e Obra de São Francisco de Assis

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Lao tzu: "o sábio não acumula"


O sábio não acumula,
Quanto mais ele faz pelos outros
mais plena se torna a sua vida,
Quanto mais dá mais abundância gera.

Lao Tzu (Tao Te Ching 81)

Dar sem demonstrar,
Agir sem receber o crédito,
Orientar sem interferir,
Essa é a Virtude Primeira!

Lao Tzu (Tao Te Ching 51)

Não há pior mail que deixar-se
guiar pela ambição e ceder à cobiça;
Calamidade maior não há que
perder a noção dos limites,
Só quem conhece moderação terá
sempre o suficiente!

Lao Tzu (Tao Te Ching 46)

Melhor encher que chegue
que encher até derramar.
Afia demasiado a lâmina
ela depressa perde o gume;
Acumula montanhas de ouro e jade
Ninguém as conseguirá proteger.
Reclamai riqueza e honras
facilmente as perdereis.
Desaparece quando terminada a tarefa.
Esta é a via do céu.

Lao Tzu (Tao Te Ching 9)

Não serão a saúde e a sensatez mais
importantes que a reputação?
Acaso a vida não é mais digna de
apreço que a propriedade?
Quem deseja em demasia
consome-se demasiado;
Amontoa demais e a perda será pesada.

Lao Tzu (Tao Te Ching 44)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Digam que vivi o meu sonho!

Everett Ruess (1914 - 1934) foi um artista e escritor que se aventurou sozinho pela natureza, incluindo os desertos do sudoeste americano. Aos 20 anos foi para o deserto do Utah com dois burros e nunca mais voltou.

Everett não escreveu livros durante sua vida, mas os seus diários, arte e poesia foram mais tarde publicados em 2 livros: On Desert Trails (1940) e Everett Ruess: Vagabond for Beauty (1983).


Senti-me sempre insatisfeito com a vida que a maioria das pessoas vive. Quis sempre viver de uma maneira mais rica e mais intensa. Para quê perder tempo escondendo os meus desejos mais profundos quando, falando deles, poderei encontrar alguém que os entenda e, vivendo-os, poderei descobrir quem sou?




Última carta de Everett Ruess, ao seu irmão Waldo:

Em relação a quando visitarei a civilização, acho que não será em breve. Ainda não me cansei da natureza; pelo contrário, deleito-me cada vez mais com a sua beleza e com a vida errante que levo. Prefiro a sela ao carro e o céu salpicado de estrelas a um teto, prefiro a trilha obscura e difícil, levando ao desconhecido, a qualquer auto-estrada e a paz profunda do deserto ao descontentamento gerado pelas cidades. Censuras-me por ficar aqui, no lugar onde sei que pertenço e onde me sinto uno com o mundo à minha volta?

É verdade que sinto falta de companhia inteligente, mas há tão poucos com quem possa compartilhar as coisas que significam tanto para mim que aprendi a me conter. É-me suficiente estar cercado de beleza.

Mesmo com base na tua breve descrição, sei que não conseguiria suportar a rotina e o tédio da vida que és forçado a levar. Acho que nunca conseguirei fixar residência. Agora que conheço as profundezas da vida preferiria qualquer coisa a um anticlímax.

(trecho retirado do livro "Na Natureza Selvagem")

Digam que passei fome, que andei perdido, estoirado,
que fiquei cego e queimado pelo sol do deserto,
que andei com os pés doridos, cheio de sede,
com doenças estranhas, sozinho, molhado e cheio de frio,
mas que vivi o meu sonho!

Freeganos - Reutilização dos desperdícios

Freeganos são pessoas que tentam viver uma vida simples, reduzindo o que consomem e a sua pegada ecológica através da reciclagem, partilha de recursos e aproveitamento dos desperdícios.

Segue-se um trecho de Revoluções quotidianas, práticas e instruções para viver além do capitalismo na vida, de Adam Weissman:

Recuperando o que é desperdiçado

Conhecido como mergulho em lixeiras (em inglês, dumpster diving), pesca de lixo, colheita urbana, ou simplesmente catar lixo, os praticantes da arte de recuperar recursos utilizáveis do desperdício de uma sociedade hiperconsumista conseguem diminuir dramaticamente ou até mesmo eliminar suas necessidades de comprar mercadorias.



Eles também reduzem seus desperdícios, limitando seus impactos ambientais pessoais, reduzindo suas cumplicidades econômicas com as empresas multinacionais que são socialmente e ecologicamente destrutivas e que criam a maior parte dos produtos, aliviam-se da pressão de ter que trabalhar em dois ou até três empregos para apenas suprirem suas necessidades básicas, e evitam contribuir para um governo corrupto ao limitarem suas contribuições em vendas e impostos de renda. Em áreas rurais, coletores colhem frutas e vegetais que ficam para trás devido a práticas agrícolas industriais ineficientes.



A colheita urbana não é um estilo de vida puritano, individualista e moralmente superior—é um componente chave na renovação do sentido de comunidade em torno do princípio de apoio mútuo.



Muitos coletores urbanos recuperam produtos em grupos. Alguns utilizam a comida recuperada em refeições públicas, algumas vezes em espaços de convivência comunitária. Os coletores frequentemente indicam uns aos outros bons locais para recuperar produtos. Esta página de internet oferece uma lista online de lugares favoritos dos coletores em áreas diferentes e guias similares são impressos e distribuídos. Os criadores do site fazem turnês onde grupos são introduzidos a locais confiáveis para coletar lixo. Os criadores da lista e os organizadores das turnês esperam que seus leitores e participantes irão então se inspirar em procurar outros lugares promissores por conta própria, os quais poderão ser adicionados para turnês e listas futuras.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Viver sem dinheiro: a estória de Heidemarie



Heidemarie Schwermer
(67) trabalhou durante muitos anos como psicoterapeuta e professora em Dortmund, na Alemanha. Como a maioria das pessoas à sua volta, ela passava a maior parte do tempo trabalhando para ganhar dinheiro para poder comprar as coisas que precisava - e as que não eram realmente necessárias. Como psicoterapeuta, ela conheceu muitas pessoas deprimidas e frustradas, pessoas que trabalhavam excessivamente e possuiam muito pouco tempo livre, ou que eram pobres ou desempregadas e sentiam-se inúteis.

Heidemarie teve então a ideia de começar um clube de trocas, onde pessoas sem dinheiro podiam trocar objectos e favores. Através do clube de trocas as pessoas entraram em contacto umas com as outras de uma forma totalmente diferente. Sentiam-se úteis e dignas e apreciavam também o aspecto social. Passado uns tempos Heidemarie decidiu fazer uma experiência. Ela deixou o seu apartamento, deu tudo que possuia a amigos e começou uma nova vida baseada na troca de favores - sem o uso de dinheiro. O seu objectivo era consciencializar as pessoas para a sua relação com o dinheiro e consumo.

Inicialmente ela ficou com amigos e conhecidos, tomando conta de suas casas quando eles estavam de férias ou viajando recebendo em troca comida e um lugar para viver. Ela foi a inspiração por trás da criação de clubes de troca por toda a Alemanha. Escreveu um livro sobre a sua vida e o seu estilo de vida se espalhou. Há 12 anos que vive sem dinheiro e diz que nunca se sentiu tão livre. O filme Viver sem Dinheiro segue o dia a dia de Heidemarie e com ele ficamos a saber sua história e filosofia.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tenzin Palmo, a hermita inglesa

que viveu 12 anos sozinha meditando numa gruta nos Himalaias.


Tenzin Palmo nasceu em 1944 em Londres e tornou-se budista ainda adolescente. Aos 20 anos de idade decidiu ir para a Índia aprofundar seu caminho espiritual. Foi lá que conheceu Khamtrul Rinpoche VIII e tornou-se uma das primeiras monjas budistas ocidentais. Depois de passar 6 anos na comunidade de Khamtrul Rinpoche foi para o vale do Lahaul nos Himalaias, onde viveu durante vários anos num pequeno mosteiro, mantendo-se em retiro durante os longos meses de Inverno. Foi então que, procurando maior reclusão para intensificar sua prática espiritual, encontrou uma gruta nas proximidades, onde viveu durante os 12 anos seguintes, passando os últimos 3 em estrito retiro.

Mas a estória dela não acaba aqui. Se quiserem saber mais podem ler o livro Cave in the snow, de Vicki Mackenzie, ou clicar aqui.

Mensagem de Uriel

Vivemos exteriorizados, buscando apenas os bens materiais, o conforto, o reconhecimento das pessoas, a fama, o sucesso, os canudos, o dinheiro, conforme os padrões sociais, baseado neste sistema falido que aí se encontra. Um mundo onde há o desamor, a fome, as guerras, a luta pelo poder, pelo ter e possuir, sem se importar com os seres humanos, onde o homem só tem valor pelo volume de sua conta bancária.

Olhem em redor e questionem-se: “Quem é verdadeiramente feliz?” É absolutamente impossível sermos felizes enquanto estivermos exteriorizando e vivendo adormecidos como verdadeiros robôs, de acordo com as regras absurdas de uma sociedade doente! É urgente que nos interiorizemos, que busquemos a simplicidade das coisas, que amemos as pessoas, que nos doemos sem querer nada em troca, que busquemos a Paz Interior!

A Obra Magna
, p. 8.

Citações - Lame Deer, índio Lakota

Antes dos nossos irmãos brancos nos terem vindo civilizar nós não tínhamos prisões. Portanto, não tínhamos criminosos. Sem prisões não podíamos ter criminosos. Não tínhamos chaves nem fechaduras, por isso não tinhamos ladrões. Se alguém fosse tão pobre que não tinha um cavalo, tipi ou cobertor, alguém oferecia-lhe essas coisas.

Éramos incivilizados demais para darmos valor a bens pessoais. Queríamos ter coisas apenas para as podermos dar. Não tínhamos dinheiro e por isso o valor do homem não podia ser medido por ele. Não tínhamos lei escrita nem advogados ou políticos e por isso não podíamos enganar ninguém. Estávamos mesmo muito mal antes do homem branco ter vindo e não sei como é que tinhamos conseguido viver em harmonia sem essas coisas básicas que, segundo nos dizem, são absolutamente necessárias para a existência de uma sociedade civilizada.

- Sábio Lakota Lame Deer (de John Lame Deer, Seeker of Visions)

Citações - Gandhi

Uma coisa inicialmente não roubada deveria contudo ser classificada como propriedade roubada se a possuirmos sem que dela precisemos.

Possuir implica fazer provisões para o futuro. Quem busca a Verdade, quem segue a lei do Amor, não agarra nada contra o amanhã. Deus nunca armazena para amanhã. Ele nunca cria mais do que o estritamente necessário para o momento. Assim, se repousarmos a fé na Sua Providência, deveríamos estar certos de que Ele nos dará o pão nosso de cada dia, ou seja, tudo o que precisarmos....

A nossa ignorância ou negligência da Lei Divina, que diariamente dá ao homem o seu pão de cada dia e nada mais, criou desigualdades e todas as misérias que lhes acompanham. Os ricos superfluamente armazenam coisas que não precisam e que são, portanto, negligênciadas e desperdiçadas, enquanto milhões morrem à fome por falta de sustento.

Na Índia, há três milhões de pessoas que têm de se satisfazer com uma única refeição por dia, que consiste em um chapati sem qualquer gordura e uma pitada de sal. Você e eu não temos direito a nada do que possuímos até que esses três milhões estejam mais bem vestidos e alimentados. Você e eu temos de adequar nossas vontades e até nos submeter à fome voluntária para que essas pessoas possam ser tratadas, alimentadas e vestidas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Olhai para os lírios do campo

Não ajunteis tesouros na terra,
onde a traça e a ferrugem tudo consomem,
e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu,
onde nem a traça nem a ferrugem consomem,
e onde os ladrões não minam nem roubam.

Porque onde estiver o vosso tesouro,
aí estará também o vosso coração.
Ninguém pode servir a dois senhores;
porque ou há de odiar um e amar o outro,
ou se dedicará a um e desprezará o outro.
Não podeis servir a Deus e Mamom.

Por isso vos digo:
Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida,
pelo que haveis de comer
ou pelo que haveis de beber;
nem quanto ao vosso corpo,
pelo que haveis de vestir.

Não é a vida mais do que o mantimento,
e o corpo mais do que vestuário?
Olhai para as aves do céu,
que nem semeiam, nem segam,
nem ajuntam em celeiros;
e vosso Pai celestial as alimenta.
Não tendes vós muito mais valor do que elas?

E qual de vós poderá,
com todos os seus cuidados,
acrescentar um côvado à sua estatura?
E, quanto ao vestuário,
por que andais solícitos?

Olhai para os lírios do campo,
como eles crescem;
não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão,
em toda a sua glória,
se vestiu como qualquer deles.

Pois, se Deus assim veste a erva do campo,
que hoje existe, amanhã é lançada no forno,
não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

Não andeis, pois, inquietos, dizendo:
Que comeremos, ou que beberemos,
ou com que nos vestiremos?
(Porque todas estas coisas os gentios procuram).

De certo vosso Pai celestial bem sabe
que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça,
e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã,
porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.

domingo, 9 de agosto de 2009

Simplicidade Voluntária

No seu primeiro livro, Simplicidade Voluntária, 1981, o historiador e cientista social americano Duane Elgin diz-nos que:

“Vida simples é fruto de um propósito que a gente tem, pelo qual fica mais fácil descartar excessos, direcionar a energia de modo ordenado, ser mais coerente, sincero, consciente. A simplicidade começa dentro da gente quando decidimos o que realmente importa para cada um de nós. Simplicidade voluntária quer dizer escolher o nosso caminho na vida de forma consciente, deliberada e de nosso próprio acordo. Não é apenas viver com menos, mas viver com propósito e equilíbrio".

Peregrina da Paz

Durante a Idade Média, os peregrinos saiam, como discípulos enviados que eram - sem dinheiro, sem alimento, sem roupa adequada - eu conheço esta tradição.

Não tenho dinheiro e não aceito nenhum dinheiro em minha peregrinação. Não pertenço a nenhuma organização. Não há nenhuma organização por trás de mim. Eu possuo apenas o que visto e levo comigo. Não há nada que me restrinja. Sou tão livre como um pássaro que voa no céu.

Caminho até que me ofereçam teto, jejuo até que me dêem alimento. Não o peço - dão-me sem eu pedir. Que boas são as pessoas! Há uma chispa de bondade em todos, não importa quão profundamente oculta esteja. Está lá.

Peregrina da Paz
p.26

O caminho inverso


Parece que os ocidentais não acreditam que os homens sejam naturalmente bons e belos, lugares onde a vida cresce. É por isso que se tornaram especialistas em meios de coerção e sabem usar o dinheiro e os fuzis como ninguém mais... É por isso que estão sempre tentando melhorar os homens por meio de adições: a comida em excesso, a roupa desnecessária, a velocidade da máquina, a complicação da vida...

Tentei seguir o caminho inverso: despojar-me de tudo para que a verdade apareça. É somente assim que se vê Deus, porque Deus é verdade, esta voz que vive dentro de cada um. Cultivei, acima de tudo, meus momentos de oração e meditação: às 4h30 da manhã, e entre 5 e 6 da tarde. Para mim não havia nada mais importante que isto.

Gandhi - Magia Dos Gestos Poéticos p.16

Citações sobre o dinheiro

O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal. - Leon Tolstoi

Não há nada pior do que o dinheiro na sociedade humana. - Sófocles

O que o dinheiro faz por nós não compensa o que fazemos por ele. - Flaubert

Por detrás de uma grande fortuna há um crime. - Balzac

Os homens são porcos que se alimentam de ouro. - Napoleão

O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele. - Schopenhauer

Algemas de ouro são muito piores que algemas de ferro. - Gandhi

Um sujeito suficientemente esperto para ganhar muito dinheiro tem se ser suficientemente cretino para querer esse dinheiro. - Chesterton

As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã. - Aristóteles

O preço que temos de pagar pelo dinheiro paga-se em liberdade. - Robert Stevenson