O termo “Corrida dos Ratos” refere-se à gaiola onde os ratos correm dentro dela até ficarem estoirados mas sem nunca chegarem a lugar nenhum.
Robert Kiyosaki compara a corrida dos ratos com a forma com a qual nos relacionamos com o dinheiro e o circulo vicioso que se forma em torno dele, onde quanto mais trabalhamos e quanto mais ganhamos mais teremos que trabalhar para sustentar um estilo de vida.
Segue-se um trecho do seu livro “Pai Rico Pai Pobre”:
“Se você observar a vida das pessoas de instrução média, trabalhadoras, você verá uma trajetória semelhante. A criança nasce e vai para a escola. Os pais se orgulham porque o filho se destaca, tira notas boas ou altas e consegue entrar na universidade. O filho se forma, talvez faça uma pós-graduação, e então faz exatamente o que estava determinado: procura um emprego ou segue uma carreira segura e tranquila. Encontra esse emprego, quem sabe de médico ou de advogado, ou entra para as Forças Armadas ou para o serviço público. Geralmente, o filho começa a ganhar dinheiro, obtém um monte de cartões de crédito e começam as compras, se é que já não tinham começado.
Com dinheiro para torrar, o filho vai aos mesmos lugares aonde vão os jovens, conhece alguém, namora e às vezes casa. A vida é então maravilhosa porque actualmente marido e mulher trabalham. Dois salários são uma benção. Eles sentem-se bem-sucedidos, seu futuro é brilhante, e decidem comprar uma casa, um carro, uma televisão, tirar férias e ter filhos. O desejo se concretiza. A necessidade de dinheiro é imensa.
O feliz casal concluiu que suas carreiras são da maior importância e começam a trabalhar ainda mais arduamente, tornam-se funcionários melhores. Voltam a estudar para obter especialização e ganhar mais dinheiro. Talvez arrumem mais um emprego. Seus salários aumentam, mas também aumentam o imposto de renda, o imposto predial da casa, as contribuições para a Segurança Social e os outros impostos. Eles se perguntam para onde todo esse dinheiro vai. Aplicam em alguns fundos mútuos e pagam cinco ou seis anos e é necessário poupar não só para os aumentos das mensalidades escolares, mas também para a velhice.
O feliz casal, nascido há 35 anos, está agora preso na armadilha da Corrida dos Ratos pelo resto de seus dias."
domingo, 30 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Salário
Poema de Carlos Drummond de Andrade
28.V.1983
Ó que lance extraordinário:
aumentou o meu salário
e o custo de vida, vário,
muito acima do ordinário,
por milagre monetário
deu um salto planetário.
Não entendo o noticiário.
Sou um simples operário,
escravo de ponto e horário,
sou caxias voluntário
de rendimento precário,
nível de vida sumário,
para não dizer primário,
e cerzido vestuário.
Não sou nada perdulário,
muito menos salafrário,
é limpo meu prontuário,
jamais avancei no Erário,
não festejo aniversário
e em meu sufoco diário
de emudecido canário,
navegante solitário,
sob o peso tributário,
me falta vocabulário
para um triste comentário.
Mas que lance extraordinário:
com o aumento de salário,
aumentou o meu calvário!
28.V.1983
Ó que lance extraordinário:
aumentou o meu salário
e o custo de vida, vário,
muito acima do ordinário,
por milagre monetário
deu um salto planetário.
Não entendo o noticiário.
Sou um simples operário,
escravo de ponto e horário,
sou caxias voluntário
de rendimento precário,
nível de vida sumário,
para não dizer primário,
e cerzido vestuário.
Não sou nada perdulário,
muito menos salafrário,
é limpo meu prontuário,
jamais avancei no Erário,
não festejo aniversário
e em meu sufoco diário
de emudecido canário,
navegante solitário,
sob o peso tributário,
me falta vocabulário
para um triste comentário.
Mas que lance extraordinário:
com o aumento de salário,
aumentou o meu calvário!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Sem um centavo nos bolsos
Aqui fica o documentário, em inglês, sobre a peregrina americana que caminhou mais de 25.000 milhas para a paz mundial sem um centavo nos bolsos.
Uma vez perguntaram-me: "O que fazem os peregrinos da paz?" Um peregrino da paz trabalha pela paz interior e exterior. Um peregrino da paz não busca a multiplicidade das coisas materiais, porém uma simplificação do bem estar material, tendo o nível de necessidade como a última meta.
Como se sabe, um peregrino caminha tradicionalmente com fé, sem nenhum meio visível de apoio. Eu caminho até que me ofereçam abrigo. Jejuo até que me ofereçam alimento. É importante que seja dado; nunca peço. Mas sempre me dão!
Tudo o que me dão, eu dou. Deve-se dar se se quiser receber. Deixe que o centro de seu ser seja dar, dar, dar. Você não pode dar demasiado, e descobrirá que não pode dar sem receber. Este tipo de vida não está reservado só para os santos, está disponível para gente pequena como você e eu - se nos esforçarmos em dar a todos.
Original aqui.
Uma vez perguntaram-me: "O que fazem os peregrinos da paz?" Um peregrino da paz trabalha pela paz interior e exterior. Um peregrino da paz não busca a multiplicidade das coisas materiais, porém uma simplificação do bem estar material, tendo o nível de necessidade como a última meta.
Como se sabe, um peregrino caminha tradicionalmente com fé, sem nenhum meio visível de apoio. Eu caminho até que me ofereçam abrigo. Jejuo até que me ofereçam alimento. É importante que seja dado; nunca peço. Mas sempre me dão!
Tudo o que me dão, eu dou. Deve-se dar se se quiser receber. Deixe que o centro de seu ser seja dar, dar, dar. Você não pode dar demasiado, e descobrirá que não pode dar sem receber. Este tipo de vida não está reservado só para os santos, está disponível para gente pequena como você e eu - se nos esforçarmos em dar a todos.
Original aqui.
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domingo, 23 de agosto de 2009
A estória de São Bento
Bento, filho de um nobre romano, nasceu em Núrsia (480 - 547), um vilarejo no alto das montanhas, a nordeste de Roma.Seus pais mandaram-lhe para Roma estudar, mas ele não gostou da vida da cidade e fugiu para Subiaco, onde se tornou eremita.
Foi mais tarde descoberto por um grupo de monges que o incitaram a se tornar o seu líder espiritual.
Em Regula Monasteriorum ele inclui uma regra sobre:
Se os monges devem possuir alguma coisa de próprio
Especialmente este vício deve ser cortado do mosteiro pela raiz; ninguém ouse (...) ter nada de próprio, nada absolutamente, nem livro, nem tabuinhas, nem estilete, absolutamente nada. Seja tudo comum a todos, como está escrito, nem diga nem tenha alguém a presunção de achar que alguma coisa lhe pertence.
Links:
A vida de São Bento
Regra do glorioso Patriarca São Bento
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sábado, 22 de agosto de 2009
Investir dinheiro para destruir o planeta
Korubo, o chefe indígena, alerta-nos para os perigos que a humanidade corre ao seguir o caminho errado. Korubo vive numa pequena aldeia que se vê ameaçada pela especulação imobiliária e por uns políticos locais com escassa visão de futuro e muitos interesses pessoais a curto prazo. O projecto é construir um enorme bairro para as classes sociais altas, disfarçando-lhe de "ecológico", pois a "falsa ecologia" está muito na moda no Brasil também.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Citações - Joseph Campbell
O dinheiro é energia congelada e a sua liberação acarreta possibilidades de vida. Sabemos que numa sociedade economicamente orientada as possibilidades de vida são, na verdade, uma função da quantidade de dinheiro que se possui.Experienciado como energia vital, o dinheiro é de facto uma meditação, e deixá-lo fluir em vez de acumulá-lo é um modo de participar da vida dos outros. É preciso que o dinheiro flua.
Do livro 'Reflexões Sobre a Arte de Viver'
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Carta do índio ao presidente
O Presidente informa que deseja comprar a nossa terra. Mas como é possível comprar ou vender o céu ou a terra? A ideia nos é estranha. Se não possuímos o frescor do ar e a vivacidade da água, como poderão vocês comprá-los?Cada parte desta terra é sagrada para o meu povo. Cada arbusto brilhante do pinheiro, cada porção de praia, cada bruma na floresta escura, cada campina, cada insecto que zune. Todos são sagrados na memória e na experiência do meu povo.
Conhecemos a seiva que circula nas árvores como conhecemos o sangue que circula nas nossas veias. Somos parte da terra, e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o gamo e a grande águia são nossos irmãos. O topo das montanhas, o húmus das campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, pertencem todos à mesma família.
A água brilhante que corre nos rios e riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se lhes vendermos a nossa terra, vocês deverão lembrar-se de que ela é sagrada. Cada reflexo espectral nas claras águas dos lagos fala de eventos e memórias da vida do meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai.
Os rios são nossos irmãos. Eles saciam a nossa sede, conduzem nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Assim, é preciso dedicar aos rios a mesma bondade que se dedicaria a um irmão.
Se lhes vendermos a nossa terra, lembrem-se de que o ar é precioso para nós, o ar partilha seu espírito com toda a vida que ampara. O vento, que deu ao nosso avô seu primeiro alento, também recebe seu último suspiro. O vento também dá aos nossos filhos o espírito da vida.
Assim, se lhes vendermos a nossa terra, vocês deverão mantê-la à parte e sagrada, como um lugar onde o homem possa ir apreciar o vento, adocicado pelas flores da campina .
Ensinarão aos vossos filhos o que ensinamos aos nossos? Que a terra é a nossa mãe? O que acontece à terra acontece a todos os filhos da terra. O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a rede da vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele faça à rede, fará a si mesmo.
Uma coisa sabemos: nosso deus é também o seu deus. A terra é preciosa para ele e magoá-la é acumular contrariedades sobre o seu criador.
O vosso destino é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem todos sacrificados? Os cavalos selvagens, todos domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da floresta forem ocupados pelo odor de muitos homens e a vista dos montes floridos for bloqueada pelos fios que falam? Onde estarão as matas? Sumiram! Onde estará a águia? Desapareceu! E o que será dizer adeus ao pônei arisco e à caça? Será o fim da vida e o início da sobrevivência.
Quando o último pele-vermelha desaparecer, junto com sua vastidão selvagem, e a sua memória for apenas a sombra de uma nuvem se movendo sobre a planície… estas praias e estas florestas ainda estarão aí? Alguma coisa do espírito do meu povo ainda restará?
Amamos esta terra como o recém-nascido ama as batidas do coração da mãe. Assim, se lhes vendermos nossa terra, amem-na como a temos amado. Cuidem dela como temos cuidado. Gravem em suas mentes a memória da terra tal como estiver quando a receberem. Preservem a terra para todas as crianças e amem-na, como Deus nos ama a todos.
Assim como somos parte da terra, vocês também são parte da terra. Esta terra é preciosa para nós, também é preciosa para vocês.
Uma coisa sabemos: existe apenas um Deus. Nenhum homem, vermelho ou branco, pode viver à parte. Afinal, somos todos irmãos."
Carta do líder indígena 'Chief Seattle' ao presidente dos Estados Unidos em 1852, em 'O Poder do Mito', Joseph Campbell
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Amit Goswami e a economia espiritual
Trecho de uma entrevista a Amit Goswami (físico, doutorado em física nuclear, filho de um guru hindu, pesquisador e professor titular de fisica teórica da Universidade de Oregon, nos EUA, durante 32 anos).
ÉPOCA – Quais são os fundamentos do que o senhor chama de economia espiritual?
Goswami – O capitalismo desenvolvido por Adam Smith é um sistema econômico maravilhoso. Mas tem defeitos. A teoria clássica apenas considera o material como variável, prevendo que o capitalismo estará sempre em expansão. Isso não é sustentável a longo prazo. O problema da teoria clássica é que nós não somos aquilo que sentimos, somos os mapas mentais daquilo que pensamos, seus significados, e somos também o intelecto. Adam Smith, achando que essas qualidades não eram mensuráveis, resolveu ignorá-las. Quando introduzimos esses fatores – as energias, os pensamentos – na equação econômica, nós percebemos que ela se fecha. Quando nos sentimos bem espiritualmente, a procura de bens materiais diminui naturalmente. E, quando o ciclo se completa, as pessoas podem voltar à procura material anterior. Na economia espiritual, a procura nunca chegará ao limite, pois ela leva em conta as realizações espirituais. Assim que o material é satisfeito, as pessoas sentem-se tranquilas. O que precisamos fazer é treinar a nossa capacidade para a tranquilidade.
ÉPOCA – Como isso pode ser usado no contexto do trabalho?
Goswami – É reconhecido que os funcionários que estão em contacto com o seu lado espiritual são mais criativos. O tempo de lazer é a coisa mais importante para libertar essas energias. O ócio gera a criatividade.
ÉPOCA – Qual é o papel do dinheiro?
Goswami – O dinheiro é secundário. O nosso aspecto espiritual é o mais importante. No mundo materialista, capitalista, achamos que o dinheiro está ligado ao êxtase. As pessoas são movidas por energias negativas como a ganância, inveja, poder, ódio, agressividade. O material, o corpo físico, é apenas um instrumento para essas energias. Quando damos a devida atenção às energias construtivas, às energias mentais positivas, livramo-nos automaticamente das energias destrutivas. Continuamos a tê-las, mas deixamos de ser escravizados por elas.
Revista Época nº 484 – 27 de Agosto 2007
ÉPOCA – Quais são os fundamentos do que o senhor chama de economia espiritual?
Goswami – O capitalismo desenvolvido por Adam Smith é um sistema econômico maravilhoso. Mas tem defeitos. A teoria clássica apenas considera o material como variável, prevendo que o capitalismo estará sempre em expansão. Isso não é sustentável a longo prazo. O problema da teoria clássica é que nós não somos aquilo que sentimos, somos os mapas mentais daquilo que pensamos, seus significados, e somos também o intelecto. Adam Smith, achando que essas qualidades não eram mensuráveis, resolveu ignorá-las. Quando introduzimos esses fatores – as energias, os pensamentos – na equação econômica, nós percebemos que ela se fecha. Quando nos sentimos bem espiritualmente, a procura de bens materiais diminui naturalmente. E, quando o ciclo se completa, as pessoas podem voltar à procura material anterior. Na economia espiritual, a procura nunca chegará ao limite, pois ela leva em conta as realizações espirituais. Assim que o material é satisfeito, as pessoas sentem-se tranquilas. O que precisamos fazer é treinar a nossa capacidade para a tranquilidade.ÉPOCA – Como isso pode ser usado no contexto do trabalho?
Goswami – É reconhecido que os funcionários que estão em contacto com o seu lado espiritual são mais criativos. O tempo de lazer é a coisa mais importante para libertar essas energias. O ócio gera a criatividade.
ÉPOCA – Qual é o papel do dinheiro?
Goswami – O dinheiro é secundário. O nosso aspecto espiritual é o mais importante. No mundo materialista, capitalista, achamos que o dinheiro está ligado ao êxtase. As pessoas são movidas por energias negativas como a ganância, inveja, poder, ódio, agressividade. O material, o corpo físico, é apenas um instrumento para essas energias. Quando damos a devida atenção às energias construtivas, às energias mentais positivas, livramo-nos automaticamente das energias destrutivas. Continuamos a tê-las, mas deixamos de ser escravizados por elas.
Revista Época nº 484 – 27 de Agosto 2007
A estória de Paulo o Eremita
Também conhecido como o 1º Ermitão, o Anacoreta ou Paulo de Tebas, nasceu no ano 228, em Tebaia, uma região próxima do rio Nilo, no Egipto. Cresceu numa família cristã da alta classe. Bem educado, fluente em grego e egípcio. Seus pais morreram quando ele tinha 15 anos. Poucos anos depois começa a perseguição do imperador Décio e Paulo foge para o deserto, de onde não voltou.Escolheu uma caverna, perto de uma fonte de água e de umas palmeiras, para ser sua moradia. Com as folhas da palmeira fazia a roupa. Os frutos eram seu alimento. E a água da fonte sua bebida.
Viveu como um eremita no deserto durante o resto da sua vida de 113 anos, passando o tempo em oração.
Ver mais aqui.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
A estória de Santo Antão do Deserto
O fundador do monaquismo cristão nasceu em 251, na Tebaida, no Alto Egipto, e faleceu em 356, com 105 anos de idade. Os que adoptaram o seu modo de vida chamam-se eremitas ou anacoretas.
Seus pais eram cristãos abastados da nobreza. Quando menino viveu com os pais, conhecendo apenas a família e a casa; não quis ir à escola, desejando evitar a companhia dos outros meninos; seu único desejo era levar uma simples vida no lar.
Depois da morte dos pais ficou sozinho com a irmã, muito mais nova. Tinha então uns 18 a 20, e cuidou da casa e da irmã. Menos de 6 meses depois da morte dos pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e refletia como os apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador; como os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados.
Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico:
"Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu".
Como se Deus lhe houvera proposto a lembrança dos santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas "aruras", terra muito fértil e formosa. Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais, os bens móveis que possuía, e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para a irmã.
De novo, porém, entrando na igreja, ouviu aquela palavra do Senhor no evangelho:
"Não se preocupem com o amanhã".
Não pôde suportar maior espera, mas foi e distribuiu aos pobres também este pouco. Colocou a irmã entre virgens conhecidas e de confiança, entregando-a para que a educassem. Então ele dedicou todo seu tempo à vida ascética.
Link: Vida de Santo Antão, por Santo Atanásio
Seus pais eram cristãos abastados da nobreza. Quando menino viveu com os pais, conhecendo apenas a família e a casa; não quis ir à escola, desejando evitar a companhia dos outros meninos; seu único desejo era levar uma simples vida no lar.Depois da morte dos pais ficou sozinho com a irmã, muito mais nova. Tinha então uns 18 a 20, e cuidou da casa e da irmã. Menos de 6 meses depois da morte dos pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e refletia como os apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador; como os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados.
Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico:
"Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu".
Como se Deus lhe houvera proposto a lembrança dos santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas "aruras", terra muito fértil e formosa. Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais, os bens móveis que possuía, e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para a irmã.
De novo, porém, entrando na igreja, ouviu aquela palavra do Senhor no evangelho:
"Não se preocupem com o amanhã".
Não pôde suportar maior espera, mas foi e distribuiu aos pobres também este pouco. Colocou a irmã entre virgens conhecidas e de confiança, entregando-a para que a educassem. Então ele dedicou todo seu tempo à vida ascética.
Link: Vida de Santo Antão, por Santo Atanásio
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Citações - Thomas Merton
A correria e a pressão exercida pelo ritmo da vida moderna são uma forma, talvez a forma mais comum, de sua violência radical. Deixar-se levar pela multidão de preocupações em conflito, entregar-se a múltiplas exigências, engajar-se em demasiados projectos, querer ajudar a todos em tudo, é sucumbir à violência. Mais que isso, é cooperar com a violência. O frenesi... destrói a capacidade interior de paz.
Reflexões de um espectador culpado, (Editora Vozes, Petrópolis), 1970. p. 99
A estória de Jeffrey Sawyer
Há uns anos, Jeffrey Sawyer deixou o seu emprego, vendeu todas as suas posses, e saiu de Asheville, Carolina do Norte, sem destino nem objectivo, excepto o de descobrir o significado da vida, do amor e da liberdade.Depois de chegar a Minnesota voltou para o local onde começou, e desde então, tem feito muitas "peregrinações", não só nos E.U.A. como também no México, Havaí e Sudeste Asiático. Vai sempre com pouco ou nenhum dinheiro e as viagens são feitas na maioria a pé.
Se quiserem, podem ler trechos do livro sobre a sua experiência aqui". São passagens como esta:
Embora haja pessoas capazes de olhar para o seu interior sem deixar o emprego, a casa, a família e os amigos, foi a solidão que me cativou. Eu queria dedicar-me completamente à investigação das capacidades do coração e da mente. Ao caminhar, algumas questões se tornaram predominantes: temos mesmo que trabalhar? O que aconteceria se não trabalhássemos? O que aconteceria se não tivéssemos dinheiro nem motivação para o obter? Será que é possível vivermos inteiramente livres nesta cultura?
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domingo, 16 de agosto de 2009
Vive, antes que morras!
Live Before You Die from Dreamtime Film on Vimeo.
As pessoas dizem que depois da morte podemos ir para o céu. Mas quem diz que temo de esperar esse tempo todo? A estrada para o céu é difícil mas às vezes acordamos noutro país. O Verão é outro país. Vive o teu dia, vive cada momento!A terra já aqui estava antes de nós e continuará aqui. Hoje tudo pertence a alguém, a alguma pessoa. Neste planeta, um sítio onde sentar não é pedir demasiado.
Viajamos levemente
atravessando apenas
para lá
sempre
mais além
As pessoas falam do Reino dos Céus. Isso está errado. O céu não é um reino, é o nosso mundo, a nossa terra, a nossa vida. Um dia vamos morrer mas por enquanto ainda estamos vivos.
Quanto mais tens, tanto menos és.
Quanto menos tens, tanto mais tu és.
O suficiente chega.
Cria a tua própria vida.
O poder dos outros é obtido através da nossa obediência.
Então, desobedece!
Achas que nós, a tribo dos cavalos, sem posses, achas que temos ar de derrotados?
Continua a tua viagem
vai mais além
continua, sempre...
Ouve a nossa mensagem:
Há vida ANTES da morte!
Agora a escolha é tua.
Estás vivo?
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A estória de Daniel Suelo
Conseguirias sobreviver sem dinheiro? Ele consegue.
Em Utah, um troglodita moderno vive sem dinheiro há quase uma década. Costumavam pensar que ele era louco. Agora pensam que talvez seja santo.
Daniel Suelo vive numa caverna. Ao contrário da maioria dos americanos - cheios de dívidas de cartões de crédito, aprisionados pela amortização da casa, apavorados de perder o emprego, ele não se preocupa com a crise económica pois descobriu que a melhor maneira de permanecer rico é nunca ser rico em primeira instância. Há 9 anos, no Outono de 2000, Suelo decidiu deixar de usar dinheiro. Deixou o dinheiro como um drogado deixaria, de uma vez por todas, o vício da droga.
A sua caverna, escondida bem alto num canyon com quedas d'água por perto, fica a 1 hora a pé de Utah, uma cidade no deserto de Mojave. O blog de Suelo, mantido de graça na Biblioteca Pública, sugere que ele tem um pouco de santo e um pouco de louco.
"Quando eu vivia com dinheiro, estava-me sempre faltando alguma coisa", ele escreve. "O dinheiro representa a falta; representa coisas no passado (dívida) e coisas no futuro (crédito), mas nunca representa o presente".
Foi num dia quente de primavera que descobri a sua caverna, onde encontrei uma mensagem: Entre, come à vontade e serve-te de tudo que quiseres (nada daqui é meu).
Do lado de fora a caverna parecia uma lágrima escavada, bem pequena, com espaço suficiente apenas para umas panelas penduradas no tecto, um "forno" construido debaixo de uma pedra, uns baldes cheios de feijão e arroz, uns cobertores no chão e praticamente mais nada. Há 3 anos que Suelo ali mora.
A noite cai e as estrelas brilham. Suelo é esguio e bronzeado. Ontem ele reconstruiu a entrada da sua caverna, arrastando rochas enormes para fazer uma escada. Suas mãos estão pretas da sujeira e o seu cabelo parece um ninho de pássaros, cheio de poeira.
Sorrindo, ele mostra os desperdícios que encontrou na sua visita semanal às ruas de Mojave: um par de luvas e um gorro de lã, um casaco de Inverno e um cinto branco de nylon ainda envolto em plástico, sandálias e um par de calças que está vestindo. Encontrou também latas de atum e peru e uma vela. Não se vive mal dos produtos desperdiçados pela sociedade de consumo.
"Lá me conseguiste encontrar", diz ele. Ofereço-lhe um saco de maçãs e um bloco de queijo que comprei no supermercado mas de repente a oferta parece pequena.
Suelo acende a vela e faz uma fogueira. A gruta depressa aquece. Lembro-me de S. João Baptista, que sobreviveu no deserto comendo mel e gafanhotos.
Suelo nem sempre viveu assim. Saiu da Universidade de Colorado com uma licenciatura em antropologia, pensou tornar-se médico, ocupou postos de trabalho, teve dinheiro e contas bancárias. Em 1987, depois de vários anos como assistente de laboratório no hospital de Colorado, juntou-se ao Peace Corps e foi colocado numa aldeia no topo dos Andes, no Equador. Estava encarregado da saúde das tribos dessa área, ensinando primeiros socorros, nutrição e dando medicamentos quando necessário; o momento de que mais se orgulha foi quando ajudou a dar à luz três bebês.
A tribo vinha enriquecendo há já uma década, e durante os dois anos que Suelo lá esteve ele viu como os aldeãos começaram a adoptar a economia da modernidade. Começaram pela primeira vez a vender os alimentos que produziam - quinoa, batata, milho, lentilhas -, e usavam o dinheiro que recebiam para comprar coisas de que não precisavam, ou seja, refrigerantes, farinha branca, açúcar refinado, aletria e grandes sacos de MSG para temperar as refeições.
"Quanto mais gastavam", diz Suelo, "mais a sua saúde declinava. A deterioração era vísivel e facilmente medida em gráficos que eu produzia. Era como se o dinheiro os estivesse empobrecendo."
Em seguida Suelo mudou-se para Mojave, onde trabalhou num abrigo para mulheres durante 5 anos. Ele queria ajudar as pessoas, mas ser pago para ajudar parecia-lhe desonesto - até que ponto é verdadeira a ajuda que exige recompensa? A resposta estava, em parte, no cristianismo de sua infância, em que seguir Jesus significava adoptar o estilo de vida prescrito no Sermão da Montanha.
"Abandonar as posses, viver além do crédito e dívida", explica Suelo em seu blog, "dando e recebendo gratuitamente, perdoando todas as dívidas, devendo nada a ninguém, vivendo e caminhando sem sentimentos de culpa... rancor [ou] superioridade."
Se o objectivo era alcançar um estado de graça, então teria de ser graça no sentido clássico, do latim gratia, significando favor, mas também, de graça, gratuitamente.
Em 1999, viveu num mosteiro budista na Tailândia - tinha poupado dinheiro apenas para o voo. Dali caminhou até à Índia, onde se viu na boa companhia dos sadhus, ascetas que vivem sem dinheiro. Os 5 milhões de sadhus podem ser encontrados andando pelas estradas e florestas por todo o subcontinente, buscando a iluminação através da auto-abnegação.
"Eu queria ser um Sadhu", diz Suelo. "Mas que bem me faria ser um Sadhu na Índia? O verdadeiro teste de fé seria a regressar a uma das nações mais materialistas e devotas ao dinheiro do mundo e ser um Sadhu ali. Ser vagabundo na América e fazer disso uma arte - essa ideia encantou-me."
O ritual matinal é simples e lento: uma chávena de chá e um mergulho na água fria do riacho. Depois, um banho de sol e coleta de alimentos silvestres para o almoço. Entre as rochas encontrámos plantas de mostarda, cujas folhas cruas são tão saborosas como a couve-flor, e perto do riacho onde Suelo vai buscar água encontrámos folhas enormes de agrião e montes de cebolas selvagens.
Digo-lhe que viver sem dinheiro parece-me ser difícil. Ele diz-me que nunca passou sem uma refeição (amigos em Mojave dão-lhe às vezes de comer). Quanto a doenças, viu-se mal numa ocasião em que comeu um cacto que havia identificado incorrectamente. Vomitou, ficou a delirar, pensou que ía morrer e chegou a escrever uma carta dirigida a quem encontrasse o seu cadáver. Mas ficou melhor.
"O objectivo é precisamente esse. As dificuldades são positivas, nós precisamos de desafios. O nosso corpo precisa de desafios, o nosso sistema imunológico precisa de desafios. As minhas dificuldades são simples e fáceis de gerir".
Quando lhe digo que pago $2.400 por mês de renda de casa em Nova York, ele abana a cabeça. O que ficou por dizer foi que estava ali eu, escrevendo sobre ele a fim de ganhar dinheiro, para uma revista que depende, para sua sobrevivência, do dinheiro que obtém dos anúncios e da publicidade de um consumo conspícuo.
Ao preparar o jantar, Suelo diz-me que há uns anos atrás ele tinha um vizinho no canyon, um alcoólico que vivia numa caverna maior que a dele. O velho passava os dias buscando ouro no riacho e todos os meses conseguia dinheiro suficiente para comprar a cerveja que o mantinha bêbado. Suelo considera as riquezas que encontrámos.
"E se víssemos o ouro pelo que é?" ele diz meditativamente. "O ouro é bonito mas é praticamente inútil. Alguém decidiu que tem valor, e toda a gente aceitou esta decisão. Os nativos das Américas pensavam que os europeus eram loucos por causa do seu desejo por uma substância amarela tão inútil."
Sueo vai fritando o agrião, as folhas de mostarda e as cebolas selvagens, misturando amêndoas que apanhou no pomar de um amigo e manteiga de boa qualidade que alguém tinha deitado fora.
No topo da falésia, a vida de Sadhu parece razoável. Mas eu não quero viver numa caverna. Gosto de ter casa de banho e electricidade. No entanto, a verdade é que há uma beleza óbvia na simplicidade da subsistência. Nos dias de hoje não respeitamos os nossos ascetas e rejeitamos a ideia de que o dinheiro talvez seja uma espécie de alucinação consensual. Para a maioria de nós é tão real quanto o próximo pagamento de aluguel. Suelo não recebe assistência pública mas sobrevive parcialmente devido à nossa realidade, aos excessos descartados do sistema monetário que ele denuncia - um sistema que, recentemente, parece estar a caminho do precipício .
Suelo tem 48 anos mas não se preocupa com a velhice. "Vou fazer o que as criaturas têm feito por milhões de anos", diz ele. "Porque é que acham que morrer no deserto é triste mas que morrer na enfermaria geriátrica não?"
Se quiserem, podem ler o original aqui.
Também podem ver e ouvir Suelo neste vídeo (em inglês).
Em Utah, um troglodita moderno vive sem dinheiro há quase uma década. Costumavam pensar que ele era louco. Agora pensam que talvez seja santo.
Daniel Suelo vive numa caverna. Ao contrário da maioria dos americanos - cheios de dívidas de cartões de crédito, aprisionados pela amortização da casa, apavorados de perder o emprego, ele não se preocupa com a crise económica pois descobriu que a melhor maneira de permanecer rico é nunca ser rico em primeira instância. Há 9 anos, no Outono de 2000, Suelo decidiu deixar de usar dinheiro. Deixou o dinheiro como um drogado deixaria, de uma vez por todas, o vício da droga.A sua caverna, escondida bem alto num canyon com quedas d'água por perto, fica a 1 hora a pé de Utah, uma cidade no deserto de Mojave. O blog de Suelo, mantido de graça na Biblioteca Pública, sugere que ele tem um pouco de santo e um pouco de louco.
"Quando eu vivia com dinheiro, estava-me sempre faltando alguma coisa", ele escreve. "O dinheiro representa a falta; representa coisas no passado (dívida) e coisas no futuro (crédito), mas nunca representa o presente".
Foi num dia quente de primavera que descobri a sua caverna, onde encontrei uma mensagem: Entre, come à vontade e serve-te de tudo que quiseres (nada daqui é meu).
Do lado de fora a caverna parecia uma lágrima escavada, bem pequena, com espaço suficiente apenas para umas panelas penduradas no tecto, um "forno" construido debaixo de uma pedra, uns baldes cheios de feijão e arroz, uns cobertores no chão e praticamente mais nada. Há 3 anos que Suelo ali mora.
A noite cai e as estrelas brilham. Suelo é esguio e bronzeado. Ontem ele reconstruiu a entrada da sua caverna, arrastando rochas enormes para fazer uma escada. Suas mãos estão pretas da sujeira e o seu cabelo parece um ninho de pássaros, cheio de poeira.
Sorrindo, ele mostra os desperdícios que encontrou na sua visita semanal às ruas de Mojave: um par de luvas e um gorro de lã, um casaco de Inverno e um cinto branco de nylon ainda envolto em plástico, sandálias e um par de calças que está vestindo. Encontrou também latas de atum e peru e uma vela. Não se vive mal dos produtos desperdiçados pela sociedade de consumo. "Lá me conseguiste encontrar", diz ele. Ofereço-lhe um saco de maçãs e um bloco de queijo que comprei no supermercado mas de repente a oferta parece pequena.
Suelo acende a vela e faz uma fogueira. A gruta depressa aquece. Lembro-me de S. João Baptista, que sobreviveu no deserto comendo mel e gafanhotos.
Suelo nem sempre viveu assim. Saiu da Universidade de Colorado com uma licenciatura em antropologia, pensou tornar-se médico, ocupou postos de trabalho, teve dinheiro e contas bancárias. Em 1987, depois de vários anos como assistente de laboratório no hospital de Colorado, juntou-se ao Peace Corps e foi colocado numa aldeia no topo dos Andes, no Equador. Estava encarregado da saúde das tribos dessa área, ensinando primeiros socorros, nutrição e dando medicamentos quando necessário; o momento de que mais se orgulha foi quando ajudou a dar à luz três bebês.
A tribo vinha enriquecendo há já uma década, e durante os dois anos que Suelo lá esteve ele viu como os aldeãos começaram a adoptar a economia da modernidade. Começaram pela primeira vez a vender os alimentos que produziam - quinoa, batata, milho, lentilhas -, e usavam o dinheiro que recebiam para comprar coisas de que não precisavam, ou seja, refrigerantes, farinha branca, açúcar refinado, aletria e grandes sacos de MSG para temperar as refeições.
"Quanto mais gastavam", diz Suelo, "mais a sua saúde declinava. A deterioração era vísivel e facilmente medida em gráficos que eu produzia. Era como se o dinheiro os estivesse empobrecendo."
Em seguida Suelo mudou-se para Mojave, onde trabalhou num abrigo para mulheres durante 5 anos. Ele queria ajudar as pessoas, mas ser pago para ajudar parecia-lhe desonesto - até que ponto é verdadeira a ajuda que exige recompensa? A resposta estava, em parte, no cristianismo de sua infância, em que seguir Jesus significava adoptar o estilo de vida prescrito no Sermão da Montanha.
"Abandonar as posses, viver além do crédito e dívida", explica Suelo em seu blog, "dando e recebendo gratuitamente, perdoando todas as dívidas, devendo nada a ninguém, vivendo e caminhando sem sentimentos de culpa... rancor [ou] superioridade."
Se o objectivo era alcançar um estado de graça, então teria de ser graça no sentido clássico, do latim gratia, significando favor, mas também, de graça, gratuitamente.
Em 1999, viveu num mosteiro budista na Tailândia - tinha poupado dinheiro apenas para o voo. Dali caminhou até à Índia, onde se viu na boa companhia dos sadhus, ascetas que vivem sem dinheiro. Os 5 milhões de sadhus podem ser encontrados andando pelas estradas e florestas por todo o subcontinente, buscando a iluminação através da auto-abnegação.
"Eu queria ser um Sadhu", diz Suelo. "Mas que bem me faria ser um Sadhu na Índia? O verdadeiro teste de fé seria a regressar a uma das nações mais materialistas e devotas ao dinheiro do mundo e ser um Sadhu ali. Ser vagabundo na América e fazer disso uma arte - essa ideia encantou-me."
O ritual matinal é simples e lento: uma chávena de chá e um mergulho na água fria do riacho. Depois, um banho de sol e coleta de alimentos silvestres para o almoço. Entre as rochas encontrámos plantas de mostarda, cujas folhas cruas são tão saborosas como a couve-flor, e perto do riacho onde Suelo vai buscar água encontrámos folhas enormes de agrião e montes de cebolas selvagens.Digo-lhe que viver sem dinheiro parece-me ser difícil. Ele diz-me que nunca passou sem uma refeição (amigos em Mojave dão-lhe às vezes de comer). Quanto a doenças, viu-se mal numa ocasião em que comeu um cacto que havia identificado incorrectamente. Vomitou, ficou a delirar, pensou que ía morrer e chegou a escrever uma carta dirigida a quem encontrasse o seu cadáver. Mas ficou melhor.
"O objectivo é precisamente esse. As dificuldades são positivas, nós precisamos de desafios. O nosso corpo precisa de desafios, o nosso sistema imunológico precisa de desafios. As minhas dificuldades são simples e fáceis de gerir".
Quando lhe digo que pago $2.400 por mês de renda de casa em Nova York, ele abana a cabeça. O que ficou por dizer foi que estava ali eu, escrevendo sobre ele a fim de ganhar dinheiro, para uma revista que depende, para sua sobrevivência, do dinheiro que obtém dos anúncios e da publicidade de um consumo conspícuo.
Ao preparar o jantar, Suelo diz-me que há uns anos atrás ele tinha um vizinho no canyon, um alcoólico que vivia numa caverna maior que a dele. O velho passava os dias buscando ouro no riacho e todos os meses conseguia dinheiro suficiente para comprar a cerveja que o mantinha bêbado. Suelo considera as riquezas que encontrámos.
"E se víssemos o ouro pelo que é?" ele diz meditativamente. "O ouro é bonito mas é praticamente inútil. Alguém decidiu que tem valor, e toda a gente aceitou esta decisão. Os nativos das Américas pensavam que os europeus eram loucos por causa do seu desejo por uma substância amarela tão inútil."
Sueo vai fritando o agrião, as folhas de mostarda e as cebolas selvagens, misturando amêndoas que apanhou no pomar de um amigo e manteiga de boa qualidade que alguém tinha deitado fora.
No topo da falésia, a vida de Sadhu parece razoável. Mas eu não quero viver numa caverna. Gosto de ter casa de banho e electricidade. No entanto, a verdade é que há uma beleza óbvia na simplicidade da subsistência. Nos dias de hoje não respeitamos os nossos ascetas e rejeitamos a ideia de que o dinheiro talvez seja uma espécie de alucinação consensual. Para a maioria de nós é tão real quanto o próximo pagamento de aluguel. Suelo não recebe assistência pública mas sobrevive parcialmente devido à nossa realidade, aos excessos descartados do sistema monetário que ele denuncia - um sistema que, recentemente, parece estar a caminho do precipício .
Suelo tem 48 anos mas não se preocupa com a velhice. "Vou fazer o que as criaturas têm feito por milhões de anos", diz ele. "Porque é que acham que morrer no deserto é triste mas que morrer na enfermaria geriátrica não?"
Se quiserem, podem ler o original aqui.
Também podem ver e ouvir Suelo neste vídeo (em inglês).
sábado, 15 de agosto de 2009
Meditação analítica sobre o dinheiro
Até que ponto o dinheiro simboliza o sucesso na tua vida?
Até que ponto a tua avaliação do sucesso dos outros - ou do teu - depende da quantidade de dinheiro que eles têm- ou que tu tens?
Até que ponto o dinheiro simboliza segurança para ti?
Até que ponto poupas dinheiro porque estás procurando segurança?
Até que ponto o dinheiro simboliza o amor?
Até que ponto o dinheiro dás dinheiro às pessoas de quem gostas como um símbolo do teu amor?
Quantas vezes dás dinheiro às pessoas que amas, porque não tens tempo ou possibilidade de estar com elas, utilizando o dinheiro como um substituto para a tua presença amorosa?
Até que ponto o dinheiro simboliza o poder? Quantas vezes usas dinheiro para exercer poder sobre outras pessoas?
Até que ponto o dinheiro simboliza liberdade e independência, a capacidade de fazer o que queres?
Até que ponto o dinheiro revela os teus valores? Quantas vezes usas dinheiro como apoio dos teus valores éticos e espirituais?
Até que ponto o dinheiro simboliza prazer - a tua capacidade de sentir prazer e obter as coisas que queres?
Traduzido daqui.
Até que ponto a tua avaliação do sucesso dos outros - ou do teu - depende da quantidade de dinheiro que eles têm- ou que tu tens?
Até que ponto o dinheiro simboliza segurança para ti?
Até que ponto poupas dinheiro porque estás procurando segurança?
Até que ponto o dinheiro simboliza o amor?
Até que ponto o dinheiro dás dinheiro às pessoas de quem gostas como um símbolo do teu amor?
Quantas vezes dás dinheiro às pessoas que amas, porque não tens tempo ou possibilidade de estar com elas, utilizando o dinheiro como um substituto para a tua presença amorosa?
Até que ponto o dinheiro simboliza o poder? Quantas vezes usas dinheiro para exercer poder sobre outras pessoas?
Até que ponto o dinheiro simboliza liberdade e independência, a capacidade de fazer o que queres?
Até que ponto o dinheiro revela os teus valores? Quantas vezes usas dinheiro como apoio dos teus valores éticos e espirituais?
Até que ponto o dinheiro simboliza prazer - a tua capacidade de sentir prazer e obter as coisas que queres?
Traduzido daqui.
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